Há meses sem medicação, pacientes com AVC e infarto estão morrendo, denunciam médicos

Como já disse anteriormente aqui no Radar, euzinha bem que queria falar de flores e de amores, mas tem gente que não deixa! E, na manhã dessa quarta-feira (28), a última coisa que me veio à mente foram imagens tão boas quantas estas, ao ouvir reclamações, em tom de denúncia, de funcionários de hospital de Manaus sobre a falta há meses de uma medicação, de nome Trombolíticos. Essa medicação, me explicaram os médicos, “serve para desobstruir o coágulo que causou o infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral “.

E o que era só espanto, transformou-se em raiva, diante da seguinte resposta que ouvi ao perguntar o que os médicos estavam fazendo quando algum paciente tinha diagnóstico de AVC ou infarto agudo do miocárdio. “Nós internamos os pacientes. Muitos morrem e outros Deus nos ajuda a salvar”. E, fiquei pensando cá com meus botões: Se em Manaus está assim, imagina o que não está acontecendo no interior do Estado, né meu povo?

Segundo os médicos, o medicamento está em falta em toda a rede hospitalar do Estado. O que dizem os médicos é constatado pelo Radar ao confirmar a falta da medicação em pelo menos três hospitais, João Lúcio, 28 de Agosto e Platão Araújo.

E cadê as dispensas de licitação do Negão

E nem precisava o Radar confirmar a falta de medicamento porque a própria Secretaria de Estado da Saúde (Susam) confirma o que é dito pelos médicos: não tem mesmo a medicação na rede de saúde pública. A explicação é simples e direta, e das mais absurdas que poderiam ser ditas numa situação de vida e morte de cidadãos doentes: apenas uma questão de licitação pra compra do medicamento.

“A direção da Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) informa que, nos últimos cinco meses, teve sete processos de licitação para a aquisição de trombolíticos que não foram concluídos porque os preços apresentados pelas empresas concorrentes estavam acima dos praticados no mercado, extrapolando aquilo que estabelece a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por meio da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que dispõe sobre critérios e limites de preços dos medicamentos”, diz o Governo de Amazonino em nota enviada ao Radar.

Não dá pra não lembrar, né gente, que esse mesmo governo dispensou licitação, alegando Estado de Emergência, para contratar desde aluguel de guincho pro Detran até aluguel de veículos para sua Casa Militar! Mas pra comprar medicamento pra salvar a vida de alguém, quer dizer que não dá?

E, fica claro na nota do governo que, enquanto a licitação não for feita, só nos resta esperar. “O Governo do Amazonas não pôde celebrar contrato com nenhuma das empresas fornecedoras. No entanto, a direção ressalta que, durante a semana, órgãos fiscalizadores da administração pública, entre eles a Comissão Geral de Licitação (CGL) e a Coordenadoria de Compras e Contratos Governamentais (CCCG) e a Cema estarão reunidos para traçar estratégias visando a compra sem comprometimento ao ordenamento jurídico” – dessa vez o governo está preocupado com o “ordenamento jurídico”? E quer dizer que ainda vão se reunir pra “traçar estratégias” pra compra de um medicamento que tem gente morrendo pela falta dele? Quê que é isso, meu povo?

E vou tentar nem pensar na propaganda do governo que fica sendo repetida dezenas de vezes, bem no horário nobre de TV: “Amor à causa pública”

Que amor é esse, hein Amazonino?