Homem que matou mulher por ciúmes é condenado a 24 anos de prisão no AM

Por ter matado a esposa Maria José Fernandes de Souza, em junho do ano passado, no município de Envira (a 1.207 quilômetros de Manaus), José Ernane Monteiro de Souza foi condenado a 24 anos de prisão. Segundo a Justiça, o crime foi motivado por ciúmes e a vítima foi morta com requinte de crueldade, enquanto dormia ao lado das filhas do casal. Ele foi condenado pela prática de homicídio qualificado.

Conforme os autos, a convivência do casal vinha sendo ameaçada por crises de ciúme do acusado, que suspeitava de infidelidade por parte de Maria José. Por conta disso, o criminoso esperou que todos dormissem e, na madrugada do dia 30 de junho de 2017, matou a esposa, na residência do casal, no município.

A acusação sustentou que vítima foi atingida à cabeça por um pé de cabra enquanto dormia na outra cama, junto com as filhas de 10 e 12 anos. Em seguida, o homem mandou as crianças para a casa da avó e depois atingiu a mulher com uma faca no abdômen. Para simular a versão de arrombamento da casa e o crime cometido por uma pessoa desconhecida, ele ainda, atingiu o próprio pescoço e barriga com a faca usada no crime.

No entanto, a casa não apresentava sinal de arrombamento e as filhas do casal narraram, que, além de assistir ao crime, também viram o autor se auto lesionar com a faca. Diante disso e, obedecendo a orientação do advogado de defesa, o réu confessou o crime.

“O acusado José Ernane, que vivia sob o mesmo teto com a vítima Maria José e tinha com ela três filhas, desprezou, menosprezou, desconsiderou a dignidade da vítima Maria José enquanto mulher e a matou cruelmente e por ciúmes, sem qualquer possibilidade de defesa, pois estava dormindo, como se as pessoas de sexo feminino tivessem menos direitos do que as do sexo masculino”, disse o Promotor de Justiça Justiça Kleyson Barroso, que defendeu a acusação de feminicídio.

O réu foi condenado com base no artigo 121, § 2º, incisos II, III, IV, VI c/c §§ 2º-A, inciso I, 7º, inciso III, do Código Penal Brasileiro. Para o Conselho de Sentença, o crime teve como qualificadores o motivo fútil, o meio cruel e a impossibilidade de defesa por parte da vítima.

O julgamento ocorreu na Câmara Municipal de Envira, nesta última segunda-feira (26), e foi conduzido pelo juiz Ian Andrezzo Dutra.

Com informações da assessoria do MPE.