Hospital Joãozinho fica sobrecarregado e pais entram em desespero em busca de atendimento para seus filhos (ver vídeo)

Foto: Geovane Leite / Radar Amazônico

Na tarde desta segunda-feira (26) o Radar Amazônico flagrou a precariedade em que se encontra o Hospital da Criança da Zona Leste/Joãozinho (HPSCZL), que está sobrecarregado de pacientes que precisam aguardar por horas até conseguirem um atendimento na unidade.

Assim que a equipe de reportagem chegou ao local, presenciou o exato momento em que o pai de um bebê recém-nascido, implorava por atendimento na unidade de saúde, mas foi informado que teria que fazer uma ficha, mesmo com a criança gritando de dor após bater a cabeça.

“Fui ameaçado pelo segurança de ser espancado aqui e a doutora disse que não vai atender a criança enquanto não tiver uma ficha pra ele. Ele caiu, bateu a cabeça, eu tô querendo atendimento e não estão querendo me atender”, declarou.

Um policial militar que estava no estacionamento do hospital foi acionado e o pai da criança teve que sair do local para bucar atendimento em outro posto de saúde. Revoltado, ele afirmou que vai procurar um hospital particular.

“Agora é o jeito procurar um hospital particular. Governador Wilson Lima, é desse jeito que você vai querer se reeleger com esses funcionários assim? Ninguém quer atender ninguém.” disse.

A todo momento, diversos pacientes e acompanhantes relataram o descaso na demora e na má qualidade do atendimento. Uma mulher que preferiu não se identificar, informou que foi destratada por uma enfermeira da unidade.

“Dei entrada aqui às 9h da manhã. A enfermeira responsável pelos pacientes em observação me mandou apenas aguardar, de forma arrogante e estúpida, [ela] não olha nem pra gente. Quando o exame chegou ela me informou que eu precisava esperar até às 18 horas pro médico ver a situação do meu filho. Me mandaram pro balcão, aí me mandaram pra enfermeira, ela pegou a ficha dele e encaminhou para o laboratório e me mandaram esperar na recepção, quando cheguei lá fui chamada, a enfermeira quis praticamente brigar comigo, de forma muito arrogante.”, relatou a mãe do paciente.

A equipe de reportagem procurou a direção do hospital para solicitar um esclarecimento da gestão sobre a demora no atendimento e na forma como os pacientes estão sendo tratados no local, mas um segurança que atua no local, informou que o responsável pela unidade estaria participando de uma reunião na sede da Secretaria de Saúde do Amazonas (SES-AM). A equipe então se deslocou até o local onde estaria acontecendo a suposta reunião, mas foi informada que o expediente já havia sido encerrado e que seria necessário entrar em contato via e-mail.

Foto: Geovane Leite / Radar Amazônico

A SES informou por meio de nota que houve um aumento na demanda de pacientes e que está “trabalhando para melhorar os fluxos de atendimento nas unidades de urgência e emergência.” Sobre o caso do pai que deixou a unidade de saúde após não conseguir atendimento, a secretaria alegou que ele “não aceitou passar pela triagem nem fazer a ficha de atendimento preferindo deixar a unidade antes de a criança receber qualquer tipo de atendimento, e disse ainda, que as unidades de urgência e emergência da rede estadual seguem critérios clínicos de classificação de risco, ordem de chegada e urgência.”

Sobre a conduta dos funcionários da unidade, a secretaria não se manifestou.

Confira a denúncia na íntegra: