Igarapé do 40: Obras do Prosamim que já estão em U$ 840 milhões levam parte do esgoto pra dentro das casas

visita-igarape-40 1

visita-igarape-40 3“Na inspeção constatamos o assoreamento do Igarapé do 40, causada por entulho, não retirado da própria obra. Mato nas margens, lixo, esgoto, abandono. nenhuma recuperação ambiental do igarapé” – bom lembrar que o Prosamim, “menina dos olhos” dos governos de Braga, Omar e Melo, significa Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus. “E ainda uma tubulação de esgoto residencial entupida há meses, feita numa bitola de diâmetro mínimo, causando sérios transtornos aos moradores” – a educação do deputado estadual Luiz Castro não permite que ele use expressões grosseiras, mas peço licença aos nossos leitores pra dizer que as fezes voltam pra dentro das casas.

Esses problemas – pra não dizer expressão muito pior – na implantação e manutenção do Prosamim no Igarapé do 40 foram constatados pela equipe técnica da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Caama) e o Ministério Público Federal (MPF). Hoje (11) a incorreta tubulação faz voltar para as casas os dejetos que deveriam receber tratamento antes de voltar ao meio ambiente.

A denúncia chegou ao presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado estadual Luiz Castro (Rede) quando inspecionava o Igarapé. Para ele, é um absurdo que tenham economizado em tubulação, sendo utilizada uma de menor tamanho do que a ideal.

“Diversos problemas foram constatados, do assoreamento do Igarapé ao descaso com a limpeza, além da visível falta de tratamento do esgoto do lixo doméstico. E o programa custou cerca de U$ 840 milhões, dinheiro este que terá de ser devolvido, pago pelo contribuinte e que não será utilizado para melhorias na saúde, um dos resultados de um saneamento eficiente”, assinalou Luiz Castro.

Esgoto volta às casas na época de chuvas

Durante a caminhada ao lado do igarapé, o presidente da Caama foi interpelado por moradores sobre a pequena tubulação. O industriário Venildo Ferreira contou à equipe técnica um problema enfrentado pelas famílias do local, há pelo menos quatro anos.
“Desde quando o foi feito o Prosamim, o esgoto retorna às casas, no período de chuvas, mesmo com a promessa de sanear o esgoto. O tubo que deveria realizar o saneamento tem a metade do tamanho ideal”, desabafou.

Ferreira conta ainda que no verão, é visível a ida dos dejetos domiciliares diretamente para o curso do rio. “Está igual a antes. Eles ainda deixaram a tampa do bueiro coberta por asfalto. Resultado: nem sabemos aonde fica para tomarmos uma providência nós mesmos”, completou.

MPF

A presença do MPF deu-se porque o Ministério está concluindo uma ação de fiscalização do Prosamim, já que uma parte do investimento para as obras veio do governo federal. O procurador, Rafael Rocha, afirmou que a visita de hoje foi a última etapa. “Estamos concluindo o processo e devemos apresenta-lo até meados deste ano”, disse.

Representantes da União de Política Animal (UPA), da Rede Sustentabilidade, da Associação das Donas de Casa do Amazonas (Adcea) e do Conselho Municipal de Habitação também participaram da inspeção ao igarapé.

Fotos: Juçara Menezes / Caama

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