Imóvel na planta: disparada dos juros eleva custo do financiamento e assusta mutuários na entrega das chaves

A designer Daiana Zorzin, de 29 anos, comprou um apartamento de dois dormitórios na planta em setembro do ano passado na região de Santo Amaro, na capital paulista, avaliado em R$ 320 mil. Para concretizar o sonho da casa própria, ela guardou dinheiro durante três anos para dar uma entrada de R$ 64 mil.

Na última semana, Daiana pegou as chaves do imóvel e, como parte do processo, assinou o contrato de financiamento imobiliário com o restante do valor que teria de pagar do apartamento.

Foi então que a alegria deu lugar à tensão: em setembro de 2021, a estimativa do banco era de que seu financiamento resultasse em um valor total de R$ 280 mil. Em abril deste ano, esse montante passou para R$ 313 mil — um aumento de aproximadamente R$ 33 mil, equivalente a quase 10% do valor inicial do imóvel (R$ 320 mil).

“Vou conseguir pagar o financiamento sem exageros financeiros, mas se eu tiver qualquer mudança na renda talvez o cenário não seja tão positivo assim. Além disso, o valor que vou pagar a mais nas parcelas poderia ser investido para eu amortizar o imóvel no futuro”, disse Daiana.

Mutuário vai precisar de renda maior
Assim como Daiana, quem comprou imóvel e aguarda a retirada das chaves ainda este ano enfrenta, além do risco de pagar parcelas mais elevadas no financiamento, a possibilidade de ter de comprovar uma renda maior ao banco, segundo especialistas consultados pelo g1.

Simulação feita pela startup MelhorTaxa mostra que uma pessoa que comprou um imóvel na planta estimado em R$ 300 mil e deu uma entrada de R$ 60 mil pode pagar mais que o próprio valor inicial do imóvel (com a entrada) no final do financiamento.

Para contratar um financiamento no valor de R$ 240 mil em 30 anos em abril deste ano, o mutuário teria de comprovar uma renda mensal de R$ 11 mil e pagaria mais de R$ 331 mil no valor total das parcelas.

Se o mesmo crédito fosse contratado em abril de 2020 (no ato da compra do imóvel), a pessoa teria de comprovar uma renda de R$ 8 mil e pagaria pouco mais de R$ 240 mil no valor total do financiamento.

Vale destacar que quem compra um imóvel na planta também paga parcelas durante a obra, até o imóvel ficar pronto. Já o saldo devedor é corrigido mensalmente pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) do período. Desta forma, o valor do imóvel a ser financiado pelo cliente nunca é igual ao estimado no início do contrato, uma vez ele é corrigido ao longo da construção.