Imparcialidade de Imprensa: será que dá pra falar a verdade ou vão continuar com a hipocrisia

verdade

Na hora em que fico em frente ao computador pra escrever esse texto, não sei porque motivo (mas depois vou ver que torna-se compreensível) me vem a mente o seguinte trecho da Bíblia (João 8:32) onde Jesus ensina: “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Mas, essa não foi a mensagem que passou a semana passada inteira batucando na minha cabeça, mas sim a frase de uma música de Rita Lee que diz o seguinte: “por isso não provoque é cor de rosa choque”. Você deve estar pra lá de confuso, né mesmo? Afinal, o que tem uma coisa a ver com a outra? Você já vai entender!

Passei todo os últimos meses ouvindo em rádio, lendo em blogs e sites, e em bate-papo de jornalistas pelo Whatsapp, os “debates” – se é que se pode chamar assim já que debate é a discussão de ideias opostas e eles pensam tudo igualzinho  – sobre a tal imparcialidade de imprensa. As situações beiravam o imponderável, o inimaginável, com colegas de profissão, ou até proprietários de veículos de comunicação, falando o  quanto prezam a imparcialidade em seus textos e no material jornalístico que veiculam em seus canais de comunicação, e toda essa verborragia ligada ao processo eleitoral pra dizer que não estavam de um lado, nem de outro, nem de Braga, nem de Melo. E, nesse último mês, a coisa começou a virar pro nosso lado com colegas virando filósofos e mandando mensagens “profundas” para o Radar como: “a imparcialidade é irmã siamesa da credibilidade”. E foi aí que começou a tal música da Rita lee a ressoar na cabeça: “Por isso não provoque que é cor de rosa choque”.

Mas, mesmo assim eu queria continuar quieta no meu canto, sem fazer polêmica, porque já levei essa pecha a vida inteira, quando fiz greve de jornalista sendo apenas estudante, ou quando perguntei pra Mestrinho os motivos para não gostar de ser chamado de “boto” – e logo depois ele assumiu tal condição -, ou quando discuti com o então governador Amazonino em cadeia de rádio e televisão, e ao chegar no jornal me deparei com o mesmo colega que hoje bate-papo sobre imparcialidade de imprensa, que se diz vestal dessa prática classificada como “nobre”, então chefe da redação, me afastar da editoria de política porque “irritei o governador e envergonhei o jornal”. Logo depois, o então secretário Ronaldo Tiradentes me levava pra ser repórter de Amazonino Mendes, e descobri o motivo para tamanha irritação do chefe da redação: ele recebia do Governo de Amazonino sem nunca ter ido trabalhar. E aí, foram caindo um a um os meus ídolos nas redações de jornal.

Palavras

E diante dessas lembranças, e das palavras de um certo “anjo” que me falou ao ouvido, um amigo e leitor do Radar, que me deu uma sacudida com suas críticas em tom carinhoso de que essa carapaça de comedida, de bem comportada, não tem nada a ver comigo e não é o que fez o Radar ser o que é, com quase três mil acessos diários, resolvi ficar “rosa choque” e deixar claro o que penso sobre a tal imparcialidade de imprensa que tantos enobrecem.

Uma das definições que existem sobre imparcialidade de imprensa no dicionário é: “Que não é de um lado e nem de outro”. E aí pergunto para nossos inteligentíssimos e antenados leitores: isso existe? Principalmente quando, quem tanto louva a imparcialidade de imprensa, tem contratos com o Governo de R$ 30 mil, R$ 120 mil e até R$ 500 mil reais? Mesmo com esses contratos, eles não são Melo? Nossa, quanta nobreza! Mas, há também uma outra definição sobre imparcialidade: “Que julga sem paixão, reto, justo”. E é essa que eu escolho, porque imparcialidade é quanto não se tem dez reais na carteira, e se depara com uma proposta de R$ 38 mil, que virou R$ 50 mil e depois R$ 100 de um prefeito corrupto e acusado de pedofilia e você pensa no que é certo, justo, no que é retidão de caráter. Aí eu quero ver esses caras virem me falar de imparcialidade.

E lembro ainda que, em jornal, já fui censurada (e quase demitida) por criticar governadores que usaram a máquina pública em eleições, e que posso provar que nunca se viu antes o que está acontecendo agora. E os vestais da imparcialidade não falam um vintém sobre isso, e certamente (?) não tem nada a ver com seus contratos com o Governo que estão longe do vintém, não é mesmo?

Mas, agora, no momento em que escrevo esse texto volto para o ensinamento bíblico e lembro que, hoje, conheço a verdade, e que ela já me libertou de servir de presa fácil para esses caras. E, mais cedo, ou mais tarde – tipo nas eleições para prefeito do interior em 2016 – ela (a verdade) vai vir à tona quando todos souberem os acordos financeiros que os “imparciais” têm com determinados coronéis de republiqueta do interior, que vivem da miséria do nosso povo. E o Radar, mesmo que eles não queiram, ainda estará aqui para mostrar a verdade! (Any Margareth)