Infelizmente, o Radar acertou: vereadores de Coari votam contra parecer de cassação e mantêm mandato de Adail

Vereadores-Coari

Esse é um daqueles momentos em que a gente detesta estar certo. Onde se queria mesmo era ter queimado a língua, previsto tudo errado. Levar sarcasmo pela cara e até esculhambação, a gente aceitava na maior felicidade. Mas, infelizmente o Radar acertou. Lembram a matéria sobre o “Mensalinho” pago aos vereadores de Coari onde a gente disse: “Ninguém se surpreenda se, caso o relatório final da Comissão processante, que deve ser posto em votação nas próximas sessões plenárias da Câmara de Coari, mesmo que venha com parecer pela cassação de Adail Pinheiro, seja recusado por maioria dos vereadores. Depois de rejeitado, ele vai parar no arquivo morto, bem morto mesmo, no mesmo lugar em que os dois relatórios da CPI para apurar fraudes em licitação”.

Pois foi exatamente isso que aconteceu na sessão extraordinária, realizada na noite desta sexta-feira (16), na Câmara Municipal de Coari, onde foi lido o relatório final da Comissão Processante instalada naquela Casa Legislativa, cujo parecer foi pela cassação de Adail, por “comportamento incompatível com o cargo de chefe do Executivo” e por afastamento do cargo acima do prazo permitido por Lei. Por 7 votos contra o parecer de cassação e seis a favor do parecer, Adail Pinheiro foi mantido no cargo de prefeito, mesmo estando afastado do cargo por decisão judicial e preso há mais de três meses acusado de chefiar uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes naquele município.

Os vereadores que votaram contra a cassacão de Adail foram: Vereadora Cleiciane (ex-cunhada de Adail) – aquela que está responde processo na Justiça eleitoral por compra de voto com benefício do INSS e que o marido (ex-vereador Natanael Alencar) foi preso acusado de fraudar a previdência –  vereador Bat, vereador Keiton (sobrinho de Adail), vereador Natinho – aquele dos dois relatórios de uma mesma CPI para apurar fraudes em licitações da Prefeitura, lembram? –  vereador Robério Queiróz, vereador Passarão e Salustiano. Vereadores que votaram pela cassação: Mario Jorge, Adnamar, Merelo, Clodair, Branco e Deca. Os vereadores Iran Medeiros e Jeberson estiveram ausentes da sessão, o primeiro deles porque está acompanhando seu filho que sofreu acidente de carro, e o outro porque faleceu uma pessoa de sua família.

Quem fez a defesa verbal de Adail durante a apreciação e votação do relatório final da Comissão Processante foi ninguém menos que o advogado, também chamado de “meu Guru” por Adail, Francisco Balieiro – aquele mesmo que aparece em documentos aos quais o Radar teve acesso recebendo mais de R$ 300 mil, em pouco mais de um mês, através de transferências bancárias de uma das contas da Prefeitura de Coari.

O Radar faz questão de destacar algumas das declarações feitas por vereadores para justificarem seus votos que beiram o inacreditável. O vereador Robério Queiróz disse que seus pares tinham que colocar a mão na consciência para não fazerem uma injustiça com Adail, “um dos maiores políticos do Amazonas que colocou Coari na rota do desenvolvimento” – e nas manchetes nacionais e internacionais com matérias sobre pedofilia, não é mesmo? O vereador que atende apenas pela alcunha de Bat declarou: “Voto contra o parecer porque não fui eleito para cassar prefeito, fui eleito para defender o povo”  e pra terminar o show do absurdo, o vereador professor Natinho – mas será possível meu Deus que lá vem ele de novo ? – usou até a Bíblia para justificar seu voto a favor de Adail dizendo que “nas sagradas escrituras” está escrito que todo Poder é constituído por Deus, então como cristão, como evangélico, acredita que “o Poder de Adail foi constituído por Deus”, e quem seria ele para julgá-lo e condená-lo. Mas, o vereador esqueceu de ler na sua Bíblia a parte que fala sobre o livre arbitrário dado por Deus para tomarmos decisões justas, não é mesmo?

E, por último, a grande surpresa ficou por conta do vereador avesso a discursos, sem muita capacidade de retórica, o Branco, que chegou até mesmo a confrontar o “guru” advogado Francisco Balieiro; “Ouvi atentamente sua defesa e quase cheguei a me emocionar – disse Branco em tom de ironia – mas voto em respeito à Constituição Federal e a Lei Orgânica do Município que apontam para a culpa de Adail, porque não dá pra acreditar, não é possível que seja inocente alguém que dezenove desembargadores votam pela sua prisão por tempo indeterminado. Isso mostra que é porque há algo de verdade nas denúncias contra esse homem”. Assim disse o parlamentar votando pela manutenção do parecer de cassação, no que foi muito aplaudido. Mas, a maioria manteve Adail prefeito, mesmo na prisão. (Any Margareth)