Infelizmente, os fatos que envolvem Coari chegam a nos fazer desacreditar nas instituições e até no ser humano

Eu nunca me entristeci tantas vezes. Nunca me decepcionei tantas vezes. Nunca me enraiveci tantas vezes. Nunca falei “pelo amor de Deus” tantas vezes. E nunca tive que teimar tantas vezes pra não perder de vez a fé nas instituições ditas democráticas e no ser humano, com toda a crença que eu tinha de que os humanos são bons e generosos, que nenhum homem nasce mau, salvo em raras exceções, mas assim mesmo sua ira e violência são causadas por transtornos mentais como a esquizofrenia, ou por maus tratos, abuso sexual, e tortura física e emocional na infância. Mas, o que ocorre em Coari tem fugido a minha total compreensão de humanidade. Todos os dias se tem conhecimento de coisas absurdas, de ilegalidades visíveis que nem precisa ser especialista em contas públicas, ou expert em Direito Administrativo pra saber que está errado. Causou a maior consternação pública as denúncias, os depoimentos de meninas que teriam sido abusadas e exploradas sexualmente em Coari – favor não entender que o pessoal do Radar não tenha ficado indignado com essas denúncias – mas isso não diminui a gravidade de abusos que podem não ser sexuais, mais são tão hediondos quanto esse tipo de violência, para quem tem a consciência de que o mau uso do dinheiro público atinge milhares de famílias, consequentemente milhares de crianças, lhes tirando o acesso à educação, a saúde digna, ao emprego que poderia ter sido gerado, e muitos outros direitos que impõe a miséria que atinge o corpo e degrada a alma, causando violência doméstica, ausência de valores morais, como a própria prostituição como artifício miserável de sobrevivência.

Contratos

E, para nosso desgosto, vamos ter que escrever novamente, sobre os mesmos personagens de uma história – com “h” porque não é ficção – repetitiva, revoltante, humilhante para as famílias de Coari, que envolve contratos milionários, em que se vê ainda a letargia dos órgãos fiscalizadores das administrações públicas, como se eles fossem impotentes contra o “reinado” macabro e eterno de Adail Pinheiro e seu bando.

Único ato

E, não dá pra acreditar que o Ministério Público, que o Tribunal de Justiça, ou quem mais puder e quiser, seja em Coari ou na capital, não tenha alguém que veja nas páginas do Diário Oficial dos Municípios (DOM) as publicações dos contratos que nos falta até adjetivos pra nominar de tão absurdos que são. E nem dá pra aceitar, que o único ato de que se tem conhecimento no Radar do promotor público de Coari – se tem outros devem ser sigilosos -, seja ter feito uma mera “recomendação” para que os secretários parem de fazer farra com carros alugados pela Prefeitura de Coari a um custo de mais de R$ 7 milhões.  Em sua “recomendação, disse o promotor: “fato notório nesta cidade de Coari, que servidores públicos e secretários municipais têm utilizado veículos da Prefeitura para a realização de atividades de interesse particulares, à custa do erário e em prejuízo do patrimônio público, inclusive durante os finais de semana e feriados”. E o pessoal de Adail não deu o menor ouvido para a dita “recomendação” do promotor porque aos finais de semana é comum ver secretários com a família inteira, dentro das pick-ups pagas com dinheiro público, rodando pela cidade. E fica por isso mesmo.

Data errada

E quando há um órgão toma uma atitude de retidão, como no caso do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e de seu presidente Josué Filho que decidiu fazer uma inspeção extraordinária para apurar indícios de ilegalidade, uma desembargadora concede liminar para os inúmeros e bem pagos, também com dinheiro público, advogados de Adail Pinheiro e seu grupo suspendendo a inspeção. Segundo a desembargadora a inspeção não fazia parte do calendário do TCE e nem tinha sido aprovada pelo pleno do tribunal, ou seja, para inspecionar a administração de Adail repleta de ações por improbidade administrativa, o presidente do TCE tem que marcar data e ainda ser uma decisão colegiada, porque só a autoridade dele como gestor da corte de contas do Estado, não vale! Sem palavras!