Instituto que administra Delphina Aziz já recebeu R$ 25 milhões, mas hospital só funciona com 37% da capacidade

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Levando em consideração o que disseram os deputados Wilker Barreto (Podemos) e Dermilson Chagas (PP), após uma fiscalização no Hospital e Pronto Socorro Delphina Aziz, na Zona Norte de Manaus, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), contratado pelo governo para administrar o hospital, estaria fazendo no Amazonas exatamente como fez em outros Estados, conforme denúncias aos Ministérios Públicos dessas cidades. Nessas denúncias, o instituto é acusado de receber dinheiro público, mas não prestar os serviços contratados. 

Algo semelhante teria sido constatado pelos parlamentares, ao contarem que o instituto que assumiu a gestão do Hospital Delphina Aziz e da UPA do Campos Sales, pelo valor global de R$ 172 milhões e já teria recebido R$ 25 milhões da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), no entanto, a unidade hospitalar está funcionando apenas com 37% da sua capacidade total, com mais de 100 leitos e quase 10 salas de cirurgias parados. 

No contrato feito pela Susam, existem quatro fases a serem realizadas mês a mês. Conforme for sendo realizada, a Secretaria de Saúde solicita que  o Instituto avance para próxima, expandido os seus serviços de saúde para população. Em conversa com os parlamentares durante a fiscalização, os representantes do INDSH informaram sem alegar o motivo que ainda estão na primeira fase, fazendo com que o hospital, só funcione com apenas 37% da capacidade total. 

“Eu escutei da diretora clínica do hospital que as metas não andaram, estão paralisadas, e por isso o Instituto não consegue passar de fase. Tem 200 leitos esperando a autorização da Susam para que possam ser utilizados, enquanto isso o 28 de Agosto, João Lúcio, o Fcecon estão sem retaguarda. Aqui há uma estrutura de ponta, mas que não funciona, pelo contrário, temos superlotação. Numa enfermaria que caberia 7 a 8 leitos, tem 28 pessoas para um médico atender”, revelou Wilker.   

Segundo os deputados, eles entraram em contato com representantes da Susam, já que o secretário Rodrigo Tobias não estava em Manaus, mas a Secretaria não deu explicações. Dermilson pediu então uma cópia do relatório de prestação de contas do INDSH, que estava no Delphina, mas foi negado.  

“Solicitamos da comissão da Susam que estava nos acompanhando na fiscalização e eles foram proibidos pelo Tobias que está em Tabatinga, de nos entregar o relatório. O que eles querem esconder? Isso só aumenta a desconfiança de que existem irregularidades no contrato”, questionou Dermilson.

Além disso, foi constatado que apenas 137 leitos estão ativos e 175 inativos. As salas cirúrgicas também não correspondem ao contrato. Isso porque, do total de 11, apenas duas estão em pleno funcionamento, um déficit de 1.300 cirurgias ao mês. “Enquanto isso, presenciamos idosos e crianças no corredor do hospital, sem cobertor, sem um colchão, sofrendo, podendo ser realocado em um leito, mas não vemos essa medida do Governo. Lamentável”, disse Dermilson.

Denúncia 

Em maio deste ano, o Ministério Público de Contas (MPC) entrou com uma representação junto ao Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) contra a Susam por causa de irregularidades de contratos, fraudes e más prestações de serviços do INDSH.

O Radar denunciou o visível sobrepreço do contrato em comparação com os valores pagos pelo governo anterior e as investigações contra o instituto em outros Estados, na matéria intitulada Governo pagará 122% mais caro a instituto denunciado por fraude para administrar o Delphina Aziz.

Sem resposta

O Radar recebeu a denuncia dos deputados na noite de sexta-feira (30) e poderia tê-la postado no mesmo dia, mas preferiu procurar a Susam para pedir esclarecimentos sobre o caso para garantir o direito de resposta da pasta, mas não obteve nenhum retorno até a publicação desta matéria. 

Com informações da assessoria dos deputados.