Intensidade, vibração e Luan: razões para o Grêmio calar “caldeirão” no Equador

Tricolor faz partida completa na semifinal da Libertadores. GloboEsporte.com assiste do campo e lista os motivos para o 3 a 0 construído com facilidade

A perfeição é algo perseguido sempre, portanto, utópico. Logo, o desempenho do Grêmio na semifinal da Libertadores, na noite de quarta, foi irrepreensível. Não há o que tirar nem colocar no 3 a 0 sobre o Barcelona, em Guayaquil, diante de mais 50 mil pessoas. O Tricolor retomou suas raízes e fez um jogo completo no Estádio Monumental. O GloboEsporte.com acompanhou a partida do campo e lista as razões pelo qual o clube gaúcho sai em uma (grande) vantagem e com um pé na decisão.

Era consenso no vestiário que o futebol apresentado pelo Grêmio foi aquele dos grandes momentos de 2017. Algo importante especialmente porque havia desaparecido há algumas semanas. Ressurgiu após uma série de fatores, percebidos durante o jogo ou revelados após, com uma atuação completa.

– Demonstrou que está em processo franco de recuperação, chegando a sua plenitude no momento que mais precisa. Considero que voltou a ter todas as virtudes. Mostrou todas as virtudes, de superação, dedicação, compenetração, esforço, vontade de vencer, capacidade de ter a bola, eficiência nas finalizações. Um processo de organização… Todas as virtudes que um time pode ter mostrou – empolgou-se o presidente Romildo Bolzan Jr.

Intensidade na marcação

O time todo não deu respiro para o Barcelona. Desde o início, retomou a marcação alta em determinados momentos e avançou seus jogadores. Barrios, o mais adiantado, foi visto dando carrinho na linha lateral, como é possível ver na foto. O que mostra o comprometimento de todos em não dar facilidade para o Barcelona. Sempre havia um jogador do Grêmio a acoçar o rival quando ele dominava a bola. Claro que cedeu espaços, é impossível não o fazê-lo em um jogo de futebol. Mas, no momento da decisão, novamente a equipe deu a resposta fisicamente. Os jogadores gremistas trombavam e permaneciam pé.

– Acho que o principal que foi a intensidade do nosso jogo, marcamos muito, mas com a bola a gente tinha fôlego para jogar. Nossa entrega, dedicação nos 90 minutos, foi o principal nesta vitória – opinou Arthur.

“Huevos”

Em espanhol, “huevos” é uma expressão chula para coragem. O Estádio Isidro Romero Carbo estava lotadíssimo, um ambiente hostil. A torcida fez uma festa muito bonita, especialmente no momento dos dois times entrarem em campo. No entanto, o time da casa vestiu azul, preto e branco. Em poucos minutos, Luan parecia jogar individualmente um balde de água gelada em cada um dos presentes torcedores do Barcelona com seu gol. Não houve pressão para o Grêmio, uma equipe vibrante em campo.

Além disso, foram poucos momentos com desentendimentos em campo – ponto para os dois times. Há poucos metros dos jogadores, entretanto, foi possível observar um time formado por jogadores de vibração. Dois dos maiores expoentes talvez sejam Edílson e Kannemann. O argentino chamou atenção ao atravessar o campo em uma corrida louca para comemorar o terceiro gol gremista, anotado por Luan após grande jogada de… Edílson. Pulou sobre o monte de gremistas e soltou um urro. O Grêmio não se assombrou com o caldeirão, mostrou fibra e cozinhou o rival.

Enquanto isso, na arquibancada, os barcelonistas cantavam:

– Barcelona, ponga huevos…

Luan

Este capítulo da vitória por 3 a 0 está reservado para o dono da noite. O Grêmio coletivamente esteve muito bem, claro. Mas o atacante, com os dois gols, centralizou todos esses elogios. Em seu terceiro jogo após retornar de lesão, fez valer todos os cuidados montados por Renato e sua comissão técnica para o seu retorno. Treinou nas partidas contra Corinthians e Palmeiras. Hoje, jogou.

E colocou a partida na sola do pé direito, como ele gosta de carregar a bola. Do soco no ar aos dedos imitando a arma, Luan armou, deu caneta, defendeu, foi válvula de escape, tudo isso além de ter feito dois gols em uma semifinal de Libertadores. Enquanto ainda negocia renovação de contrato.

– A gente vinha falando como o Luan fazia falta. O jogo de hoje (ontem) foi a prova disso. Além de nos ajudar em construção de jogada ofensiva, ter o controle da bola, pode fazer dois gols para nos ajudar. Acredito que seja um dos fatores principais para o resultado – apontou Ramiro.

– Nos jogos do Corinthians e do Palmeiras estava voltando. Então, faltava o ritmo de jogo, que é diferente dos treinamentos. Pude readquirir e hoje estar 100%. Eu fui escolhido o melhor do jogo, só que dava para dar para qualquer um. Pelo que a equipe fez hoje, está todo mundo de parabéns – disse Luan.

Fonte: GE