Internautas se revoltam com vacinação de filhos de famílias influentes recém formados em medicina: “privilegiados”

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Após as irmãs Gabrielle e Isabelle Lins compartilharem nas redes sociais o momento em que foram vacinadas nessa terça-feira (19), na Unidade Básica de Saúde (UBS) Nilton Lins a internet “ferveu”.  Em seguida, as duas jovens médicas viraram alvos de uma série de críticas dos internautas a medida em que novas informações iam surgindo e que mostravam um contexto que as distaciava do tal “grupo prioritário” determinado tanto pelo Ministério da Saúde, como pela Fundação Estadual de Vigilância em Saúde.

Descobriu-se que as duas médicas são recém-formadas, uma delas se inscreveu no Conselho Regional de  Medicina em maio do ano passado (Gabrielle) e outra no mês de dezembro (Isabelle). As duas irmãs também foram nomeadas recentemente para a Prefeitura de Manaus, uma delas foi nomeada para o cargo de Gerente de Projetos um dia antes de ser vacinada (Gabrielle), com salário de R$ 8.000 (oito mil reais). (ver nomeação no final da matéria).

No momento em que a reportagem do Radar estava finalizando esta matéria conseguiu encontrar no Diário Oficial do Município a nomeação da outra irmã Lins, Isabelle, e ela passa a ser servidora da saúde do município no mesmo dia em que é vacinada na lista de prioridades. Chama atenção que outro filho de família infuente também está nessa lista de nomeações do dia 19, David Dallas, e também foi vacinado como prioridade no mesmo dia em que foi nomeado. Ele é filho do ex-deputado Wanderley Dallas e se formou em Medicina no dia 14 de dezembro, ou seja, há pouco mais de um mês. Coincidentemente – será? – ele se formou na Universidade Nilton Lins.

Ele também foi bombardeado com críticas ao postar sua foto no Instagram sendo vacinado mas, ao contrário das irmãs Lins, o Radar até agora não conseguiu encontar onde ele está atuando como médico.

Grabrielle e Isabelle alegaram que trabalham como médicas desde o dia (12), numa extensão da UBS exclusiva para Covid-19.  Segundo prefeitura de Manaus houve a decisão de acelerar o processo de vacinação dos profissionais de saúde, priorizando as UBS que atendem à noite. Em seu Instagran, uma das irmãs Lins, Isabelle, em tom irônico “convida” os internautas que estão passando mensagens horríveis para ir aos seus plantões no final de semana.

Realmente as duas garotas são alvos de mesagens ofensivas por parte de internautas que consideraram um priviégio em relação a outros profissionais de saúde que estão atuando na linha de frente há meses e que ainda não foram vacinados.

“Sim, são médicas, mas acima de tudo são privilegiadas. Se precisassem de atendimento, embarcariam num jatinho pra Miami na hora. Então, vamos dar a chance para dona Raimundinha, 67 anos, obesa, diabética, hipertensa, moradora do Jorge Teixeira 20ª  etapa?”, disse um internauta criticando as irmãs.

Até a juíza federal Jaíza Pinto Fraxe entrou na polêmica. Escreveu na conta do Twitter: “Faço um apelo. Não furem a fila da vacina. Não deixem ninguém furar. Denunciem às autoridades federais competentes para as providências cabíveis. O povo do Amazonas não merece isso. Estamos lutando pelo direito constitucional à vida digna. Não sabotemos uns aos outros”.

Resposta da Prefeitura

Em nota enviada pela Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Manaus as justificativas são que as irmãs estão entre dez médicos nomeados para compor o grupo de execução do plano emergencial e gerenciar projetos. Depois, diante da necessidade, os profissionais médicos foram remanejados para a linha de frente da Covid-19. “… nada houve de ilegal, pois (Gabrielle e Isabelle) fazem parte do grupo preferencial e estavam no exercício de suas funções”, conclui a nota.

Confira a nota na íntegra

“Diante dos fatos publicados nas redes sociais, sobre eventuais desvios de vacinas para pessoas não vinculadas ao grupo preferencial de trabalhadores da saúde, definido pelo Ministério da Saúde informamos que:

Um plano emergencial de enfrentamento à COVID-19 foi trazido pela equipe de saúde da nova gestão, em que 10 médicos foram nomeados pelo Prefeito David Almeida para compor o grupo de execução do plano emergencial e também para gerenciar projetos vinculados à melhoria do acesso nos 5 Distritos de Saúde, e nas unidades preferenciais para COVID-19.

Estabelecida a transição, o plano teve necessidade de ser reajustado para cobertura de demanda reprimida nas unidades de saúde, e em especial, das preferenciais para COVID-19, em cujo realinhamento, designou-se esses médicos que atuariam em planejamento, para atuarem na linha de frente, haja vista o expressivo número de médicos afastados por COVID-19, cuja providência mais urgente foi reativar 3 unidades móveis que estavam paradas, e abrir uma extensão da UBS NILTON LINS.

Dentre as médicas nomeadas estão as Dras. GABRIELLE KIRK MADDY LINS e ISABBELE KIRK LINS, que são objeto de críticas públicas, por terem sido vacinadas, onde não há nenhuma irregularidade, pois se encontravam atuando legitimamente em local de trabalho para a qual foram designadas, em razão da urgência e exceção sanitária estabelecida nos primeiros 15 dias da nova gestão. Concluímos asseverando que nada houve de ilegal, pois fazem parte do grupo preferencial e estavam no exercício de suas funções.”