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Investigação aponta ex-primeira-dama como controladora do esquema de Mouhamad

Material apreendido pela Polícia Federal (PF), durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, nas Operações “Custo Político” e “Estado de Emergência” – desdobramentos da Operação “Maus Caminhos – , um deles na empresa OPTE, Consultoria Econômica Ltda, cuja sócia é a ex-primeira-dama e ex-presidente do Fundo de Promoção Social do Estado (FPS), Edilene Gomes de Oliveira, levam a crer que a ex-primeira-dama tinha total controle das atividades criminosas do médico Mouhamad Moustafá, apontado como o chefe de uma organização criminosa que desviou mais de R$ 120 milhões da saúde pública do Estado.

Essas são informações que estão na decisão da juíza plantonista Jaiza Maria Pinto Fraxe do Tribunal Regional Federal (TRF1) que acatou pedido do Ministério Público Federal (MPF) e decretou a prisão preventiva da mulher do ex-governador do Amazonas, José Melo de Oliveira (Pros), cassado por crime eleitoral. A decisão foi proferida na noite dessa quarta-feira (3). No mesmo ato, a juíza converteu a prisão de José Melo, de prisão temporária em preventiva.

Para balizar sua decisão, Jaiza Fraxe levou em consideração dados sobre a investigação do MPF indicando que estavam em poder de Edilene Oliveira, planilha intitulada “Grupo Salvare”, com diversos detalhes de contratos, valores pagos pelo Poder Público por cada serviço. Consta ainda, como parte do “Grupo Salvare” a organização social Instituto Novos Caminhos (INC).

“Tais fatos demonstram claramente o conhecimento e relações entre os investigados e Mouhamad Moustafá”, diz a juiza. Ela aponta ainda fortes indícios de crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro, associação ou organização criminosa, bem como de fatos novos reveladores de ocultações e distribuição de elementos de provas, que foram colhidos durante a fase ostensiva da operação.

Conforme as investigações do MPF, cerca de 900 milhões de reais foram repassados, entre 2014 e 2015, exclusivamente na gestão do ex-governador do Amazonas, pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) e consequentemente transferidos para o Fundo Estadual de Saúde (FES). Deste valor, R$ 250 milhões foram parar nas contas do Instituto Novos Caminhos de Mouhamad Moustafá.