Investigação da PF apura uso do avião do Governo para negócios irregulares na saúde

As investigações da Operação Sangria, que começaram para apurar indícios de superfaturamento, fraude em licitação e desvio de recursos públicos na compra de respiradores – na verdade ventiladores pulmonares – pelo valor de R$ 2,9 milhões, conforme denúncia feita pelo Radar no dia 13 de abril de 2020, chegou agora no uso do avião do governo do Amazonas em negócios feitos pela Susam com dinheiro da saúde pública, verbas federais destinadas principalmente à pandemia. Nesta segunda-feira (30), foi deflagrada a terceira fase da Operação Sangria.

Segundo informações da PF, as “triangulações realizadas entre as empresas investigadas , bem como o fretamento aéreo dos respiradores pulmonares, custeado pelo Governo do Amazonas, aumentaram a margem de lucro ilícita dos investigados”. O avião do Governo teria sido usado para fazer o transporte dos respiradores, mesmo estando explícito no Edital de Dispensa de Licitação que “tais custos deveriam ficar a cargo da empresa contratada , e não do Governo “.

Este, segundo fontes do Radar, teria sido o motivo para que mandados de busca e apreensão tenham sido cumpridos em locais ligados ao chefe da Casa Militar de Wilson Lima, coronel Fabiano Bó, já que é a Casa Militar que controla os voos do avião usado pelo Governo do Estado. Mas, assim como a Operação Sangria teria chegado a sua terceira fase, as investigações da PF já conseguiram chegar em outros indícios de negócios envolvendo recursos da saúde, desta vez ligados ao interior do Estado onde também teria sido usado o avião do governo, o que levou a PF a fazer busca e apreensão na Secretaria Executiva do Interior.

A operação investiga fatos relacionados a possíveis práticas de crimes como pertencimento a organização criminosa, fraude a licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Quatro mandados judiciais de busca e apreensão, expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), foram cumpridos na cidade de Manaus.