Investigação sobre uso da máquina pública para reeleição de Amazonino vira destaque na imprensa nacional

As ações instauradas pelo Ministério Público Eleitoral para apurar o uso da máquina pública para reeleição do governador Amazonino Mendes (PDT) viraram destaque na imprensa nacional nessa segunda-feira (22).

Em matéria intitulada “MPE investiga uso da máquina dos governos estaduais para favorecer reeleições”, o jornal O Globo deu destaque para procedimentos preparatórios abertos em Estados brasileiros, entre eles no Amazonas, para apurar a suspeita de uso de servidores públicos nas campanhas, além do uso da estrutura do Governo para promover candidaturas e o uso de carro oficial em carreatas.

De acordo com o Globo, no Amazonas, o governador Amazonino Mendes teria sido beneficiado com o disparo de uma mensagem por celular convidando funcionários para um “encontro de amigos”.

O convite, segundo a denúncia do Ministério Público Eleitoral, foi feita pelo secretário-executivo da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) que, após o encontro, postou em sua rede social, que o grupo queria “a continuidade do trabalho que vem sendo feito no sistema pelo governador Amazonino Mendes de valorização dos profissionais do setor”.

Desde setembro o Radar vem denunciando que servidores públicos, especialmente os que ocupam cargos comissionados, estão sendo coagidos a participar de atos de campanha pró-Amazonino Mendes.

Os atos incluem a inserção da tema “Eu voto no Amazonas” na foto de perfil nas redes sociais, especialmente no Facebook, republicações de postagens favoráveis a Amazonino, comentários em publicações positivas e negativas referentes ao Governo ou ao governador, além de terem que postar publicações enaltecendo o governo de Amazonino em todas as redes sociais.

Os ocupantes dos cargos comissionados também devem envelopar os vidros dos veículos com a propaganda de Amazonino ou de candidatos da coligação “Eu voto no Amazonas”, além de participar de “bandeiradas”, caminhadas, reuniões e atos públicos da campanha pró-reeleição do chefe.

No mesmo mês, o Ministério Público Eleitoral recomendou a Amazonino Mendes que não permita qualquer tipo de coação a servidores públicos comissionados para obrigá-los a trabalhar em favor de sua campanha. A recomendação orienta que o governador adote medidas para esclarecer a todos que a participação em “bandeiradas” e eventos políticos, fora do horário de expediente é facultativo.

O MP Eleitoral cita, na recomendação, que considerou o relato de que servidores comissionados da Secretaria de Infraestrutura do Estado do Amazonas (Seinfra) estão sendo coagidos a trabalhar na campanha para a reeleição de Amazonino.

Além disso, a ausência deveria ser justificada aos chefes dos setores, que também participam dos eventos. A intenção seria usar os servidores para “fazer volume” e dar mais “visibilidade” à campanha do governador.

A recomendação não surtiu efeito. Isto porque, na última semana, secretários de Estado – ocupantes de cargos comissionados do alto escalão – foram vistos participando de atos de campanha pró-Amazonino durante o expediente.

A secretária da Representação do Governo em Brasília, Nafice Bacry Valoz, acompanhada do secretário de Estado de Comunicação, Célio Alves Júnior, coordenaram ações de campanha, onde haviam outros servidores públicos, na rotatória do conjunto Eldorado, à luz do dia, em horário de expediente.

Nesta semana, o Radar recebeu denúncias de que os servidores da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) também estão sendo obrigados a participar das ações de campanha de Amazonino Mendes. Eles são coagidos a participar de bandeiradas, caminhadas, distribuição de santinhos e, até mesmo, utilizar suas redes sociais para divulgar as ações de Amazonino.

Nesta segunda-feira (22), na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), o deputado estadual Sidney Leite, denunciou o uso da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) com fins eleitorais.