Investigador da PC denuncia Wilson Lima por não pagar direitos trabalhistas e sequer dar condições de trabalho para os policias

Falta carro para os policiais civis realizarem as investigações e até mesmo armas estão em falta

 

Foto: Divulgação

Um investigador da Polícia Civil procurou o Radar Amazônico e denunciou uma série de irregularidades do governador Wilson Lima, envolvendo datas-base, escalonamentos de carreira, promoções, além de reclassificações referentes a tempo de serviço dos membros da corporação, que não vem sendo pagos pelo atual governador do Amazonas. De acordo com a denúncia, esses direitos trabalhistas dos policiais chegaram a ser usados como “moeda de troca” pelo governador, durante a campanha eleitoral, para conquistar a simpatia da categoria.

Segundo o investigador, que não quis ter o nome divulgado por medo de represálias, o órgão está praticamente esquecido desde que Wilson Lima assumiu o cargo. Ele cita que a corporação esta com direitos defasados, carros estão em faltas e muitas vezes, os policiais estão sem armamentos para realizarem suas atividades. “Em 2018, na eleição, o Wilson Lima foi até o Sindicato dos Policiais (Sinpol) e associações, onde ele se comprometeu com a categoria, pois já tínhamos uma lei de promoções e escalonamentos. Dividimos em quatro parcelas de 7,5 a 10% do salário da categoria, mas, até hoje, temos dificuldade em receber”, afirmou o investigador.

De acordo com ele, as parcelas ainda não foram pagas. “Nós pedimos as três parcelas, mas todo ano é uma briga. Estamos com escalonamento atrasado, chegando a ter colegas há 10 anos sem promoção, ainda na quarta classe e que já deveria estar na classe especial. Em meio a isso, ele vem dando tudo para a Polícia Militar, enquanto a Polícia Civil é o primo pobre. Ele já promoveu 7 mil servidores da PM, enquanto aqui temos colegas 10 anos sem promoção”, explicou ele.

 

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Segundo o policial, a situação já parou na Justiça. “Nossa promoção foi judicializada, inclusive pediremos multa pela demora. Hoje, R$ 80 milhões resolvem nosso escalonamento, bem como mais R$ 80 milhões pagariam nossas promoções. Com isso, sobraria apenas a reestruturação de carreira, que totalizaria mais cerca de R$ 80 milhões, com custo final de R$ 240 milhões, que poderiam ser divididos, com custo próximo a R$ 2 milhões a mais por mês em um orçamento anual. Em meio a falas de que não tem dinheiro, Wilson Lima gasta R$ 204 milhões com membros do sistema prisional e mais de R$ 200 milhões em publicidade, enquanto a Polícia Civil fica esquecida“, afirmou o investigador.

De acordo com ele, Wilson Lima evitou o encontro com eles. “Nós tentamos reunir com ele e ouvimos que não tem como resolver o valor devido, afirmando ter apenas R$20 milhões para resolver tudo. Iriamos propor ele pagar a nossa data-base com esse valor e deixar o escalonamento para uma próxima etapa”, explicou.

Medidas serão tomadas

Após a falta de acordo, a categoria já avalia medidas. “Não aceitamos a proposta. Nós estamos insatisfeitos e faremos manifestações. Não podemos fazer greve, por conta da lei, mas podemos paralisar, podemos ir doar sangue e ter um dia ‘paralisado’. Temos brechas e vamos levar essa questão para a sociedade, ele prometeu e irá cumprir tudo que nos deve”, sinalizou o denunciante.

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O investigador compareceu à sede do Radar na companhia de um colega da PC. Segundo ele, o reajuste salarial foi a medida tomada para evitar a disparidade salarial. “Nós temos data-base atrasada desde 2018. O escalonamento foi feito pois na época tínhamos uma diferença salarial muito grande, uma categoria era muito longe da outra. Assim foi realizada uma base de cálculo com cerca de 10% entre as classes (da classe especial a quarta classe) para ser feito o reajuste salarial. Hoje, o salário da quarta classe é em torno de R$ 15 mil, com a terceira sendo colocada com 10% a mais e assim sucessivamente”, explicou.

As promoções, segundo o denunciante são garantidas por lei, mas não vêm sendo cumpridas. “Eu sou de 2011, era para ser da classe especial, a última da corporação. Segundo o estatuto da corporação, as promoções deveriam ser feitas a cada dois anos, mas não vem acontecendo. Os delegados todos que entraram conosco já estão todos primeira classe, mas nós ainda estamos na terceira, sem promoções. Com isso, já estamos com 3 promoções atrasadas, com cerca de 30% de reajuste salarial em atraso”, detalhou ele.

Abandono

Para ele, a culpa maior desse cenário é por conta da morosidade do governador.”Ele está sentado em cima das promoções, está com ele e não dá as promoções. E ele ainda disse que em junho e agosto dará mais duas promoções para a a Polícia Militar e é isso que a gente não entende. Se todos nós somos da Secretaria de Segurança e se há dinheiro para pagar a promoção da PM, porque ele não paga a da PC, que é muito menor?”, questionou.

Por fim, ele criticou a estrutura atual da corporação. “Nada dos mais de R$ 200 milhões do Amazonas Mais Seguro refletiu para nós. Ele apenas liberou 47 viaturas para a PC, mas a maioria dos Distritos Integrados de Polícia (DIPs) não receberam. Além disso, armas também não foram entregues em sua totalidade. Falta dar as armas e viaturas faltando. Hoje as ruas estão desprotegidas. O DIP que eu trabalho conta apenas com 4 pessoas, entre investigadores e delegados para atender uma área vermelha da cidade”, concluiu.

A reportagem solicitou nota da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), mas até o momento não houve resposta acerca das denúncias feitas.