Ipaam autoriza abate e manejo de jacarés na Reserva de Mamirauá

Foto: Ricardo Oliveira/ SEMA

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) anunciou, nessa quarta-feira (20) que está autorizado o funcionamento do primeiro abatedouro e entreposto flutuante de abate do jacaré na comunidade rural Jarauá, no município de Uarini (distante 565 quilômetros de Manaus), na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá.

A Licença de Operação Ambiental (LO) foi assinada pelo presidente do Ipaam e secretário de Estado do Meio Ambiente (Sema), Marcelo Dutra e entregue, durante coletiva à imprensa, ao diretor técnico-científico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, João Valsecchi. Segundo o Ipaam, será solicitado ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) uma cota de abate do animal, que pode chegar a 1,2 mil jacarés ao ano.

De acordo com Dutra, a licença terá a validade de 5 anos, período que o instituto pode abater até 10 mil animais das espécies jacaré-açú e jacaretinga no rio Paraná do Jarauá, na comunidade Jarauá.

Marcelo Dutra ressaltou que a RDS Mamirauá foi criada em 1986 pelo governador Amazonino Mendes como Estação Ecológica e, dez anos depois, foi transformada em reserva. “Na mesma época, Amazonino também criou o manejo de espécies amazônicas quando começou o manejo de pirarucu em 1999, que não só reduziu o risco de extinção do pescado, como melhorou a produção com o peixe sendo encontrado com facilidade em qualquer bairro de Manaus e mercados”, disse.

Marcelo Dutra informou que, agora, 20 anos depois, com o licenciamento do abatedouro em Mamirauá, governador Amazonino Mendes autoriza, pela primeira vez, o abate de jacaré em Unidade de Conservação (UC) para a atividade primária. “O Governo do Amazonas cria mais uma política pública de sustentabilidade, com inclusão social, geração de emprego, renda e proteção ambiental”, destacou.

O diretor do Instituto Mamirauá, João Valsecchi defendeu o empreendimento ao dizer que conta com tecnologias de baixo impacto ambiental e cumpre todos os protocolos ambientais e sanitários, além de manter o local de abate do animal perto da área de captura, sem a necessidade de arrastar o jacaré e, com isso, mantendo a qualidade da carne. “A comunidade está bastante feliz em saber que, agora, vão poder trabalhar e gerar renda com o jacaré”, informou.

Valsecchi informou, também, que o jacaré tem um grande potencial econômico e o couro, por exemplo, tem um valor que pode variar de R$ 28 a R$ 30 o centímetro para o mercado de bolsas e sapatos. A carne, segundo ele, é outro produto que tem um valor comercial e uma boa aceitação da população. “Tudo se aproveita do jacaré para ser comercializado, desde as vísceras, que são transformadas em ração”, explicou o diretor.

Fonte: Assessoria de imprensa