Irã pede explicações ao Brasil sobre apoio ao ataque dos Estados Unidos

Diante do posicionamento do Brasil em relação ao assassinato do general Qassem Soleimani, da Guarda Revolucionária do Irã, por um ataque norte-americano, a Chancelaria iraniana pediu explicações à diplomacia brasileira no domingo, informou o jornal “O Globo”. Soleimani foi atingido por um míssil dos Estados Unidos na sexta-feira.

Como o embaixador do Brasil naquele país, Rodrigo Azeredo, está de férias, a encarregada de negócios da embaixada, Maria Cristina Lopes, representou o governo brasileiro na reunião no Ministério das Relações Exteriores iraniano. A reunião foi confirmada pelo Itamaraty ao jornal, mas o teor da conversa não foi revelado.

“A conversa, cujo teor é reservado e não será comentado pelo Itamaraty, transcorreu com cordialidade, dentro da usual prática diplomática”, informou o Ministério das Relações Exteriores.

Na sexta, o Itamaraty divulgou uma nota praticamente respaldando o assassinato do militar pelos Estados Unidos. O órgão condenou várias vezes o terrorismo e, ainda que não tenha citado nomes, usou uma linguagem diplomática cuja interpretação demonstra que, para o governo brasileiro, o general iraniano e a própria Guarda Revolucionária poderiam ser classificados como terroristas.

“Ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos EUA nos últimos dias no Iraque, o governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo”, diz um trecho do comunicado, intitulado “Acontecimentos no Iraque e luta contra o terrorismo”.

Na nota, o governo afirma que “o Brasil está igualmente pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento”. Outro ponto de destaque é a afirmativa de que o terrorismo não pode ser considerado um problema restrito ao Oriente Médio e aos países desenvolvidos, “e o Brasil não pode permanecer indiferente a essa ameaça, que afeta inclusive a América do Sul”.

Em entrevistas, o presidente Jair Bolsonaro se posicionou da mesma forma, e disse que o Brasil é “aliado de qualquer país no combate ao terrorismo”.

Além do Brasil, Teerã pediu esclarecimentos para representantes de outros países que se manifestaram sobre a questão. São exemplos a Alemanha e a Suíça, que representa os EUA no Irã.