Iran Lima que foi preso pela PF por desvio de verbas públicas é reeleito presidente da AAM

Iran lima

De dois em dois anos, costumeiramente ocupa bastante espaço na mídia local, a eleição para presidência da Associação Amazonense dos Municípios (AAM) que sempre tem uma disputa acirrada entre prefeitos. Mas por algum motivo, desta vez, a coisa foi tão silenciosa que até o Radar passou batido. Sem oposição, já que não houve outra chapa inscrita, foi eleito por aclamação nesta sexta-feira (27) para mais dois anos à frente da Associação Amazonense dos Municípios (AAM), o prefeito do município de Boca do Acre, Iran Lima, que foi preso em flagrante pela Polícia Federal, em dezembro do ano passado – mas depois foi solto e ninguém mais ouviu falar no assunto – por usar verbas do Fundeb para pagar a empregada doméstica e sua residência. Ele foi preso durante a “Operação Rancho”, deflagrada pela superintendência da Polícia Federal em Rio Branco, Acre, – jurisdição da qual o município de Boca do Acre faz parte – para investigar a distribuição de cestas básicas em troca de votos nas eleições para o Governo do Estado, no ano passado.

O silêncio com que foi feita essa eleição da AAM só tem sido quebrado pela situação desesperadora enfrentadas pelos cidadãos dos municípios do interior do Estado, entre eles exatamente o município de Boca do Acre, onde mais de 20 mil pessoas estão desabrigadas, onde as escolas não estão funcionando e nem os postos de saúde, onde falta alimentos e até água potável E todo ano, irremediavelmente, a história se repete, sem que sejam encontradas medidas preventivas que diminuam o sofrimento dessa gente. E junto com a enchente, vem a “enxurrada” de dispensas de licitação com gastos de milhões que “secam” os cofres públicos e vão “desaguar” nas contas de empresários que enriquecem com a miséria do nosso povo. Para eles, a eterna enchente de todos os anos dá lucro.

E por falar nisso, Iram Lima responde a diversas ações decorrentes de denúncias feitas pelo Ministério Público do Estado (MPE-AM) – ler promotoria de Justiça de Boca do Acre, promotor Armando Gurgel Maia, – após outra operação da PF, esta vez a “Operação Boca Limpa”, que investigou fraudes em licitação, desvio de recurso público, formação de quadrilha, e peculato (crime cometido por servidor público em benefício próprio ou de outrem).

E, segundo o promotor do Ministério Público, Armando Gurgel Maia, em entrevista ao Radar no final do ano passado, ele apurou através de fotos, vídeos, áudios, depoimentos e vasta documentação que a compra de votos nas eleições passadas, que teria sido feita pelo prefeito-presidente da AAM não se restringiu à distribuição de rancho, como também de madeira, areia, seixo, as mais variadas “doações” feitas com dinheiro público.

O presidente da AAM atuou como “coordenador” do então candidato professor José Melo no “convencimento” aos prefeitos do interior do Estado para darem apoio à sua reeleição como governador do Estado – seu nome consta nessa função no Plano Estratégico de Campanha/Interior, documento publicado pelo Radar no início das eleições passadas. O MPE, conforme afirmou o promotor de Justiça de Boca do Acre ao Radar, atuou na coleta de provas de crime eleitoral que foram encaminhadas à Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) que, desde o ano passado, continua em silêncio, o mesmo silêncio com que foi realizada a eleição que aclamou Iran Lima. (Any Magareth)