Iran Medeiros fecha contratos de mais de R$ 1,2 milhão com “empresa” em Coari onde naquele endereço só tem um imóvel caindo aos pedaços onde ficava uma gráfica que está fechada há anos

Gráfica Coari

Apenas quatro dias depois de ocupar o cargo de prefeito em exercício de Coari, cumulativo por ter sido eleito presidente da Câmara de Coari por força de liminar do desembargador Rafael Romano que determinou nova eleição no Legislativo municipal – o vereador Iran Medeiros homologou “licitação” – os já conhecidos Registros de Preços que se alastram mais do que praga pelas prefeituras do interior do Estado mas os órgãos fiscalizadores da administração pública parecem não ver nada de errado – com a assinatura de contrato com a empresa E. FABA DOS SANTOS para “contratação de serviços de impressão de material gráfico, como prontuários, fichas de atendimento e outros para atender as necessidades da Secretaria Municipal de Saúde – Semsa”, conforme está publicado no Diário Oficial dos Municípios do dia 23 de março (ver publicação no final da matéria).

Em outra publicação de apenas sete dias depois de sentar na cadeira e prefeito, desta vez datada do dia 26 de março (ver publicação no final da matéria), Iran Medeiros homologa mais um Registro de Preço com a empresa E. FABA DOS SANTOS, desta vez sob a justificativa de que há necessidade da “impressão de material gráfico como fichas, relatório anual (não diz que relatório é esse que terá que ser impresso 10 mil unidades), blocos e outros materiais, para atender as necessidades da Secretaria Municipal de Educação”.

No primeiro contrato, o de material gráfico a ser fornecido para a Semsa, só existe a informação de que a empresa fornecerá 101 itens, mas não diz que itens são esses, qual a quantidade de cada um desses itens fornecidos, nem o valor global do serviço. Na listagem só há o nome da empresa repetido nos 101 itens (E.FABA DOS SANTOS) e o valor unitário de cada um desses itens. Mas, pela quantidade de itens a serem produzidos nota-se que o valor do serviço não deve ser pequeno. Pior ainda é o fato é de que o CNPJ da empresa está escrito errado, com números visivelmente repetidos (nº 07.478.60207.478.602/0001-06) – será que é proposital, minha gente?

Mas, se a publicação do número do CNPJ errado era proposital, não adiantou de nada, porque nosso Radar capta qualquer coisa, mesmo o que querem esconder. Fontes do Radar na Receita Federal verificaram que o CNPJ da empresa é na verdade 07.478.602/0001-06, e que ela fica em Coari, na rua Coronel Gaudêncio, nº 715, bairro Tauá-mirim (ver documento no final da matéria). E o Radar foi atrás da empresa nesse endereço e só encontrou um imóvel de dois pisos bastante deteriorado, onde, na parte superior, pessoas usam como residência, e na parte inferior, visivelmente não funciona nada há tempos. Isso foi confirmado pelas pessoas que moram próximo ao imóvel e que informaram que, naquele local, “funcionava uma gráfica que está fechada há anos”.

Na segunda publicação assinada por Iran Medeiros, desta vez para serviços gráficos para a Semed de Coari, também não há valor global do serviço mas, desta vez, vem especificado qual os 20 itens a serem produzidos, a quantidade de cada um deles e o valor unitário. Então, o Radar fez o cálculo da quantidade de cada um dos itens impressos pelo valor unitário e chegou ao preço de mais de R$ 1.2 milhão. E enquanto o prefeito-presidente da Câmara, vereador Iran Medeiros tem urgência em fechar contratos milionários para fazer fichas e formulários para a área de educação, a maioria das crianças de Coari continua sem aula porque o alcaide parece achar supérfluo ter merenda escolar e combustível para o transporte dos alunos para a área rural.

Cadê o MP?

E o Fiscal da Lei, o Ministério Público do Estado (MPE-AM), pelo qual os veículos de imprensa em todo o País lutaram tanto pra manter seu poder de investigação, poder que muitos políticos queriam ver ser restrito à Polícia Federal – lembram da PEC 37? – continua calado enquanto os maiores descalabros com dinheiro do povo vem sendo perpetrado em Coari.

E quando se manifestam, tudo que poderia ser evitado já aconteceu. O dinheiro sumiu e os jovens ficam sem educação, sem esporte, sem perspectivas, vendo um futuro quem não existe e acumulando a raiva de quem é tratado como nada. Esses mesmos jovens que muitos políticos e até membros do Judiciário falam em pôr na cadeia com 16 anos, jovens que eles próprios locaram a margem da sociedade. (Any Margareth)

Documento Gráfica Coari

Diário Oficial Coari 1

Diário Oficial Coari 2