Isso sim é que se chama Apocalipse!

Foto: Prefeitura de Diamantino (MT)

As imagens que vimos no ano de 2020 são muitos semelhantes a um filme apocalíptico. “Fogo misturado com sangue, e foram lançados na terra; e queimou-se a terça parte das árvores, e toda a erva verde foi queimada Apocalipse 8:7 – 12. Lembrei dessa passagem bíblica ao ver a terra arrasada pelo fogo que dizimou parte das florestas do Brasil em 2020 e os esqueletos de animais carbonizados. Foram 222.798 focos de incêndio. O maior número de queimadas da década! O pior aumento foi no Pantanal que registrou 22.116 queimadas, o maior número desde 1998. Pesquisadores apontam que ao menos 23% do Pantanal foi destruído.

Esse “inferno na Terra” era prenunciado a muito tempo, afinal as estruturas de controle e fiscalização do meio ambiente vêm sendo propositalmente desmontadas, as políticas de proteção do meio ambiente têm sido atacadas, a ciência vem sendo excluída das políticas públicas como se fosse algo descartável, pesquisadores têm sido tratados como inimigos públicos e os recursos naturais do Brasil têm estado ao alcance de desmatadores, garimpeiros e outros criminosos ambientais.

Num processo mental espontâneo isso me faz lembrar dos Cavaleiros do Apocalipse – peste, guerra, fome e morte. Como se não bastasse estarmos em meio a uma “peste” provocada pelo novo coronavírus, os “cavaleiros” da destruição abrem guerra contra a natureza e os povos tradicionais que insistem em preservá-la. Espalham a morte pra todos os lados, pelo fogo, pelas armas, pelo ódio e pela fome.

Os cavaleiros do apocalipse pregam a “burrice econômica” onde se precisa destruir o meio ambiente para crescer economicamente, fingindo não ver que os recursos naturais tendem a se esgotar diante de práticas ambientais destrutivas.

Sem contar, que fatos como o desmatamento e as queimadas que têm destruído a Amazônia, na contramão do esforço mundial em conter o aquecimento global e as mudanças climáticas que têm provocado catástrofes ambientais pelo planeta, tem transformado o Brasil num pária no mundo, um país sem aliados, atrasado, inconveniente, tratado como motivo de pena ou de piada. Um país que está cada vez mais sujeito a sanções econômica internacionais

Só nos resta deter os Cavaleiros do Apocalipse antes que a natureza cobre seu preço por toda destruição e o sofrimento que está sendo imposto aos filhos da floresta. E aí todos nós pagaremos pelo “inferno” na Terra.