Já que Páscoa é ressureição, que tal ressurgir das “cinzas”, recomeçar?

Ovo RadarA Páscoa talvez seja uma das datas do calendário cristão que considero mais importante do ano. Porque a morte e ressurreição de Cristo não é vista por mim apenas como a morte de um Deus que se fez homem e se deixou matar, como um cordeiro imolado, para salvar os pecados humanos. A Páscoa pra mim é tempo de reflexão sobre todos os sentimentos que envolvem a Paixão de Cristo! Não coincidentemente, nas Páscoas da minha vida aconteceram sempre as decisões de mudança, de reinventar minha história, mudar de rumo, recomeçar.

Apenas um exemplo disso é que o Radar nasceu em março, bem no mês da Páscoa. Lá estava euzinha, mais uma vez, numa das piores fases da minha vida. Como de costume, quando me sinto ofendida, parti pra briga no trabalho (Câmara Municipal de Manaus), virei a mesa, sai chutando, abri mão de um salário de R$ 15 mil e, por força das minhas atitudes, já que como diz na Bíblia há o tempo da semeadura e da colheita, ou seja, só colhemos aquilo que semeamos, me vi desempregada, com duas filhas pra criar, sozinha, com alguns poucos amigos que ainda me restaram – não dava pra contar nos dedos de uma das mãos – e sem um centavo no bolso.

Os poucos amigos que tive nessa época, ajudaram com o pouco que tinham pra eu fazer o Radar, quando não foi com o pouco de grana, foi com muita presença, servindo muitas vezes de repórteres, mandavam fotos, imagens do que viam por aí, informações que captavam. Uns, até hoje fazem isso, gente! E, pra esses amigos, jamais agiremos como Judas, a confiança deles jamais trairemos!

E foi nessa respectiva Páscoa em que o Radar nasceu que cheguei à conclusão que Jesus Cristo, no qual sempre professei minha fé, não morreu pra eu ficar choramingando, reclamando da vida, olhando pelo retrovisor da minha história, vivendo de passado, imaginando como poderia ter sido e não foi. Botei as poucas joias que tinha no prego, comprei um computador daqueles que a gente chama de “pé-duro”, coloquei num canto da sala, e fui viver daquilo que acredito ter sido me dado por Deus, o talento de passar para o papel aquilo que vejo, as informações que ouço, da maneira que sinto.

Um talento que pode até nem ser tão grande, mas é feito com verdade. “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, disse Cristo. Verdades que as pessoas podem questionar. Mas essa é a mágica da vida, conviver com as verdades dos nossos semelhantes, mesmo que as verdades deles contestem as suas, ou como gosto de dizer, que te esculhambem. É isso que move a vida, conviver com o contrário, repensar suas verdades.

E tenho visto nessas pessoas que captam o Radar, naquilo que nos escrevem, talentos que elas parecem não enxergar. Sim! Acredito piamente que cada um de nós tem um talento! E nenhum talento é maior ou melhor do que o de outra pessoa. E até me arrisco em dizer, o que seria de mim sem os talentos de outras pessoas, afinal não se sobrevive sozinho. Por isso, nessa Páscoa, não faça como Pilatos, não lave as mãos e se omita de usar o que Deus lhe deu. Olhe pra dentro de você, encontre seu talento e vá em frente. E saiba que com o Radar você sempre pode contar! Feliz Páscoa! Feliz recomeço pra você! (Any Margareth)