Joana D’arc X Wilker Barreto: Assédio moral de quem mesmo, hein gente?

O que é assédio moral? Todas as definições que encontrei falam de uma relação trabalhista onde o patrão impõe situações vexatórias e humilhantes ao empregado. E será que isso se enquadra às acusações feitas pela vereadora Joana D’arc, na sessão plenária de ontem (30), da Câmara Municipal de Manaus (CMM), contra Wilker Barreto já que, nesse caso, não há patrão nem empregado, ambos são vereadores, eleitos pelo voto popular? Há quem diga que sim, já que existe uma condição hierárquica pelo fato de Barreto ocupar a presidência da Casa. Mas, levando-se em conta o comportamento de ambos, e deixando de lado a compulsão que temos de defender Joana por ela ser mulher, há de se avaliar quem pratica assédio nesse caso.

Joana Darc diz que sua palavra está sendo cerceada e que está sofrendo humilhações. Mas, há de se lembrar que, no caso dos Parlamentos, mesmo até eu não gostando muito disso, existe um Regimento Interno que tem de ser cumprido, não importa quem seja, homem, mulher ou qualquer outra identidade de gênero.

Pelo que apurei, Barreto concedeu o dobro do tempo ao qual Joana Dar’c tinha direito, o mesmo que quase oito minutos, para que ela falasse no grande expediente, mesmo à revelia do Regimento Interno que determinava quatro minutos, conforme divisão do tempo pelos parlamentares da sigla. E olha que Barreto flexibilizou o tempo para Joana, mesmo a parlamentar esculhambando meio mundo. O mínimo que ela costuma chamar os colegas é de “cambada de covardes”. E isso não parece assédio moral?

Mas, mesmo assim, Joana D’arc ainda queria mais tempo. Barreto concedeu mais dois minutos e ainda utilizando um artifício de permitir sua fala como “questão de ordem”, que não é a norma para esses casos. A questão de ordem é para se reportar ao Regimento Interno ordenando uma matéria que está sendo discutida. Mas, ainda assim, Joana achou pouco tempo, queria 3 minutos e ponto final. Fez birra, berrou, fez beicinho e chorou. E ainda foi limpar as lágrimas no Facebook, rodeada de parlamentares homens que só começaram a reclamar quando a vereadora disse estar ao vivo nas redes sociais.

E euzinha aqui, mulher, cabocla, mãe solteira, blogueira e feminista futebol clube, fiquei pelas tamancas porque sempre rechacei esse estigma da mulher oprimida e defendo que o tratamento dado às mulheres não tem que ser pior ou melhor, apenas igual.

E dentro desse mundo da política onde o tratamento é igual, mesmo entre desiguais, mulher não fala mais tempo que o regimental só porque é mulher, só esculhamba se aguentar levar peia também, parte pro convencimento e não pro grito e tem que, infelizmente aceitar que, o voto da maioria é que decide, apenas porque é assim nas ditas democracias, mesmo a contragosto.

Diante de tudo isso, pergunto de novo, quem pratica assédio moral, hein meu povo? (Any Margareth)