Jogador do Vasco Bernardo está sem sequela física, diz advogado

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O advogado que representa o meia do Vasco Bernardo, Elvis Paes, disse que o jogador não está no Rio, mas negou que o motivo da viagem tenha relação com a investigação policial sobre uma suposta agressão do traficante Marcelo Santos das Dores, o “Menor P”, chefe do tráfico da Favela da Maré, na Zona Norte. Segundo o representante, o atleta, de 22 anos, que fará uma cirurgia no joelho no dia 1º de maio, deixou a cidade na madrugada desta sexta (26) para cumprir compromissos profissionais, está sem qualquer sequela física, e voltará para prestar depoimento na 21ª DP (Bonsucesso) a partir de segunda-feira (29).

“Entrei em contato com o delegado e pedi o adiamento do depoimento”, explicou Elvis, que só dará mais detalhes após esclarecimentos à polícia.

A investigação teve início após Daiane Rodrigues, que segundo a polícia seria “namorada número 1” de Menor P, um dos foragidos mais procurados do Rio, com recompensa oferecida de R$ 2 mil (Disque Denúncia), dar entrada no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, no dia 22. Segundo a Secretaria municipal de Saúde, Daiane levou dois tiros, um no joelho direito e outro no pé esquerdo, foi submetida a duas cirurgias, e recebeu alta na manhã desta quinta (25).

O delegado titular da 21º DP (Bonsucesso), José Pedro Costa da Silva, disse que, no domingo (21), o jogador do Vasco e Daiane foram sequestrados e torturados por traficantes. De acordo com a polícia, os dois foram flagrados juntos na Favela Salsa e Merengue. De lá, teriam sido levados a uma casa no Morro do Timbau, onde foram agredidos.

Ao Globoesporte.com, Bernardo, que postou uma foto fazendo um sinal positivo no Instagram de um amigo, disse que está bem e saudável. “Não fizeram mal nenhum comigo. Não sofri nenhum tipo de agressão”, explicou.

Lateral interveio, diz delegado

O lateral-direito do Fluminense Wellington Silva, criado na comunidade, interveio a favor de Bernardo, evitando que ele sofresse ainda mais agressões durante uma sessão de tortura, segundo informações da polícia. O jogador teria argumentado com o traficante que caso algo mais grave acontecesse com o meia, no dia seguinte haveria uma UPP na comunidade.

Na manhã desta sexta, no entanto, o jogador tricolor negou que tenha encontrado Bernardo na comunidade, mas confirmou que esteve no local para visitar a sua família, que mora na região. O lateral confirmou apenas que, em contato telefônico com o meia, soube de toda história. Wellington disse ainda que, ao contrário do que foi divulgado, o problema teria acontecido na terça-feira (23), e não no domingo.

Já de acordo com a polícia, Wellington teria assistido a toda a sessão de tortura. Segundo o delegado, Bernardo teria recebido choques. Os atletas devem ser intimados a depor na próxima semana. Daiane, porém, não deve ser ouvida, pois, segundo o delegado, pediu para não falar e estaria apavorada.

Clube dá ‘apoio’

O diretor do Vasco da Gama, Renê Simões, antecipou que vai “dar apoio total ao jogador”. A assessoria do Fluminense informou que soube do caso pela imprensa, que vai conversar com o jogador nesta sexta-feira (26), mas que o clube não vai se manifestar.

Em nota o clube disse que Bernardo esclarece que, apesar de tratar-se de assunto alheio a questão desportiva, oferece todo o suporte ao jogador, prestando assessoria jurídica e apoio psicológico.

Fonte: G1