Josué Neto quer aval do MPE para a compra de terreno por R$ 15 milhões pela ALEAM

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Em junho desse ano, uma nota da coluna Sim&Não, do jornal A Crítica, causou a maior polêmica ao denunciar que estaria em curso uma negociata para a compra de um terreno em frente à Assembleia Legislativa, que renderia R$ 3 milhões ao presidente da Casa, Josué Neto (PSD) e outros R$ 5 milhões a deputados que avalizaram o negócio. Segundo o jornal, a transação comercial totalizaria R$ 15 milhões, mas menos da metade – R$ 7 milhões – iria parar nas mãos do proprietário da área.

Com a informação se tornando de domínio público em pleno período eleitoral e o escândalo se transformando em ameaça de perda de votos nas urnas, a negociação sumiu como por encanto, mas fazendo um trocadilho como o nome do Parque Mirage que fica no terreno a ser comprado, o sumiço do negócio não passaria de mera miragem, ilusão de óptica – aquilo que a gente chama aqui no Radar de “engana besta”. Ontem, chegou ao Radar através de fonte do MPE, a informação de que a presidência da ALEAM – ler deputado Josué Neto – determinou o envio de consulta ao Ministério Público do Estado (MPE/AM) para a compra do terreno avaliado em no máximo R$ 5 milhões, sem licitação, pelo mesmo valor de antes, ou seja, R$ 15 milhões. Tá na nossa mira!

O X da questão

E em outra denúncia envolvendo a presidência da Assembleia Legislativa do Estado (ALEAM), desta vez do jornal Diário do Amazonas, soube-se de serviços no valor de R$ 3,1 milhões que teriam sido prestados pela Grafisa Gráfica e Editora Ltda para o Legislativo estadual e o matutino pôs soube suspeição o fato de o irmão da proprietária da gráfica, Otília Montenegro, de nome Paulo Sérgio Montenegro seria um dos 20 réus no processo por envolvimento em uma rede de exploração sexual de menores que tramita no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), dando a entender que isso teria ligação com uma possível morosidade nos trabalhos da CPI da Pedofilia, instalada da ALEAM para apurar o mesmo tipo de crime e ainda que a empresa teria sido uma das financiadoras de campanha do presidente da Casa.

Nesta segunda-feira (03) o jornal veio se desmentindo de que teria ocorrido financiamento de campanha por parte da Grafisa para o presidente Josué Neto, mas esqueceu por algum motivo o X da questão. Membros da CPI da Pedofilia da ALEAM, como os deputados Abdala Fraxe, Conceição Sampaio e Luiz Castro, fizeram declarações de que nem sabiam que a Grafisa prestava serviços para o legislativo e desconheciam até mesmo a existência da empresa. Então, o X da questão é: Como os deputados desconhecem que a Grafisa tenha feito serviços gráficos para o Legislativo no valor do de R$ 3,1 milhões? Como é possível que uma empresa receba mais de R$ 3 milhões do Legislativo e deputados digam que nem sabiam da existência da empresa? E se o presidente da Casa diz que a empresa prestou serviços de impressão e publicação para o Legislativo, que serviços foram esses já que todos os deputados têm sua Cota para Atividade Parlamentar (CEAP) no valor de R$ 25.697 para cada um exatamente para gastos como esses? Perguntar não ofende, né mesmo? (Any Margareth)