Jovem grávida é dopada e estuprada em hospital de Itacoatiara (AM)

Vítima foi abusada por um técnico em enfermagem da unidade de saúde

Foto: Divulgação

Na madrugada desta segunda-feira (25), após sentir fortes dores abdominais, uma jovem grávida – que teve a identidade preservada – procurou o Hospital José Mendes, em Itacoatiara, para receber socorro médico. Ela relatou à imprensa local que, durante o atendimento, foi medicada com uma substância desconhecida e depois ficou desacordada. Em seguida, ela garante que foi abusada sexualmente por um funcionário do local.

“Fui para sala de medicação para ser assistida e esse monstro veio fazer o meu acesso [venoso]. Uma enfermeira injetou uma porção do medicamento e pediu para ele continuar. Logo em seguida, ela saiu da sala. […] Ele apareceu lá com uma seringa e aplicou em mim sem falar o que estava injetando. Cerca de 10 minutos depois, eu fiquei sonolenta e depois inconsciente. Quando me dei conta, estava sendo abusada”

Abalada, a jovem contou que o estuprador ainda deixou marcas de “chupões” em seus seios e que sentia fortes dores em suas genitais.

“Ele deixou uma marca no meu seio e eu comecei a sentir dores nas partes íntimas. Então, eu abri os olhos e olhei para ele, que aparentemente se assustou e com isso tirou a mão dele da minha parte íntima. Reconheci ele, que virou e saiu. Em seguida, adormeci novamente. Depois que acordei, a enfermeira entrou e eu relatei para ela. Depois liguei para minha mãe e contei tudo”

Desinteresse

Mesmo relatando aos prantos para a enfermeira o que havia acontecido, a jovem conta que a direção do hospital ficou mais preocupada com a reputação da unidade, do que em garantir a captura do abusador.

“A minha mãe foi atrás dele e ele não estava mais lá. Avisaram ele, que se evadiu do local. Ninguém me deu informação. Aí foi chamado o diretor do hospital, que pediu para que não manchassem a imagem da unidade. Só disseram que ele não vai mais trabalhar lá e que ele foi afastado. Disseram que ele não vai mais pisar no hospital. Agora, porque não chamaram a polícia quando eu falei e mostrei a marca no meu peito? Então só assim fui encaminhada para a maternidade. Passei pela psicóloga e fiz um exame de corpo de delito”

Suspeito é identificado

O Radar Amazônico apurou que o suspeito identificado como Silvio Nunes Froes, atua como vigia (concursado pela Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas – SES) e como técnico em enfermagem (nomeado pela Secretaria Municipal de Saúde de Itacoatiara – SEMSA).

A Prefeitura do município informou, por meio de nota, que o suspeito foi afastado de suas funções. A reportagem também procurou a SES-AM para saber quais medidas serão tomadas com relação ao caso, a secretaria informou apenas que “está acompanhando o caso junto à Secretaria Municipal de Saúde de Itacoatiara, que responde pela gestão do hospital” e que a unidade “informou que afastou o profissional e abriu sindicância. Além disso, está oferecendo acompanhamento psicológico à vítima”.

Vale lembrar que um caso semelhante aconteceu em uma unidade de saúde de Manaus este ano. Na ocasião, a SES não exonerou o funcionário.

Diligências

A vítima prestou depoimento, na manhã desta terça-feira (26), na delegacia do município. De acordo com informações da imprensa local, o suspeito não foi preso e também deverá prestar depoimento no distrito policial da cidade. Vale ressaltar que a jovem realizou exames de corpo de delito que constataram o abuso.

A reportagem também procurou a Polícia Civil para saber detalhes sobre o andamento das investigações. Em resposta, a assesssoria da PC informou que ainda está colhendo evidências sobre o caso.

“Um Inquérito Policial (IP) foi instaurado para investigar o caso, e, também, foram solicitadas as imagens das câmeras de segurança do local, bem como documentos, como prontuários e listas dos funcionários que a atenderam no local.”