Jovem que teve barriga aberta no ES defende namorada: ‘Ela é uma vítima’ 

Em vídeo publicado no Instagram, Gabriel Muniz Pickenrsgill, 20, disse que viu a namorada a 10 metros de distância quando o incidente ocorreu

Gabriel publicou vídeo nas redes sociais falando sobre crime cometido em janeiro
Imagem: gabrielmunizkk/Instagram/Reprodução de vídeo

O jovem que foi encontrado com intestino exposto em uma praia de Guarapari (ES) defendeu a inocência da namorada Lívia Simões Paiva Pereira, 20, indicada pela Polícia Civil como autora do corte na barriga do rapaz. Em vídeo publicado no Instagram, Gabriel Muniz Pickenrsgill, 20, disse que viu a namorada a 10 metros de distância quando o incidente ocorreu e mostrou um laudo médico informando que ele havia sofrido traumas na face.

“É óbvio que a minha namorada não tem nada a ver com isso. Ela, assim como eu, é uma vítima desse acontecimento e fica claro que tinha uma terceira pessoa que fiz isso com nós dois”, disse ele, ao iniciar o vídeo. Durante a publicação, Gabriel afirmou que uma de suas lembranças fez com que ele sempre acreditasse na inocência de Lívia.

Eu tenho uma lembrança que quando eu estava sendo golpeado eu lembro de sentir os golpes, a sensação de nocaute da cabeça balançado. Eu me lembro de sentir isso e a minha namorada estava deitada na canga. Ela estava há uns dez metros de mim. E é por isso que eu nunca tive dúvidas.

Gabriel disse ainda que, além do intestino exposto, ele também sofreu golpes na face e mostrou um laudo médico para comprovar a versão.

“Eu tive as minhas fraturas, que o próprio médico disse que eu tive uma fratura no osso do seio direito do rosto, o meu nariz quebrado, tive uma pancada muito forte na testa, também, e a minha boca foi praticamente aberta ao meio, eu tive que passar por um processo de reconstrução facial. Esse mesmo doutor disse que, no parecer dele, uma pessoa de 1,60 m e 48 kg fez isso. Com certeza foi alguém com um objeto contundente e com os punhos que fez essa lesão e muito provavelmente uma pessoa canhota, pelas lesões se concentrarem na parte direita do rosto”, afirma ele.

O jovem também citou que tanto ele quanto a namorada foram roubados no dia, o que deveria levantar a suspeita de uma terceira pessoa no incidente. “Isso é óbvio, é um fato e parece que infelizmente não foi levado em conta. Foi roubado de mim meu celular e uma caixinha de som e a minha namorada tinha na bolsa dela R$ 80”, disse Gabriel, acrescentando que a bolsa foi encontrada jogada na areia com algumas notas espalhadas.

“O ferimento que ela teve na cabeça foi um TCE (Traumatismo Craniano Encefálico) e causa desmaio por ser algo forte que você leva na cabeça. Uma paulada na cabeça gera esse tipo de traumatismo. Além dos traumas no crânio, ela teve ferimentos de defesa nas mãos”, defendeu ele. “A pessoa que atacou feriu a mão dela. Ela tem até hoje uns pontos. Ela tem vários cortes na região do braço. Isso quem falou foi o próprio médico que analisou ela quando ela foi ao hospital.”

Gabriel pontuou que a entrada da Praia do Ermitão é aberta e, portanto, “qualquer um pode acessar”, sem depender da portaria. “Essa portaria, que foi por onde a gente entrou, tem duas câmeras. E estão mostrando que é como se fosse o único acesso, sem levar em conta outras possibilidades. No próprio dia, entrando lá no morro da Pescaria, a gente deu de cara com quatro ou três pescadores, se eu não me engano. As pessoas realmente acessam com liberdade e facilmente um agressor pode ter fugido por um dos acessos, pelas pedras, pelas matas.”

O jovem negou que os exames sanguíneos dele tinham altas dosagens de fentanil — um opioide — e criticou a maneira como as informações sobre o caso foram expostas.

“Depois de tudo o que eu vi, senti, do que eu falei, não teria como ser diferente minha posição. É óbvio que minha namorada não teve nada a ver com isso. Assim como eu, ela é uma vítima está sofrendo muito. Sempre que sai alguma coisa, a gente fica muito abalado. Nossa família tem um choque muito grande. Isso atrapalha no meu tratamento”, disse ele. “A gente ficou meio oculto porque não queríamos essa exposição, mas chegou um patamar que não tem como a gente não falar.”

Namorada é denunciada

O Ministério Público do Espírito Santo denunciou Lívia Simões Paiva Pereira à Justiça. O Tribunal de Justiça do Estado aceitou a denúncia e ela se tornou ré no caso. Assim, vai responder por lesão corporal grave. Se condenada, ela pode ser submetida a uma pena que varia de 2 a 8 anos de prisão. No entanto, a Justiça concedeu que ela aguarde em liberdade o julgamento.

A denúncia do MP vai no mesmo sentido do inquérito da Polícia Civil, de que a jovem, após o consumo de drogas, cortou parte do intestino do namorado. Quando recobraram a consciência, ele estava com parte do órgão cortado e com a barriga aberta.

O garoto teve que ser internado duas vezes por conta da lesão e teve nova alta médica há duas semanas.