Juíza diz em sentença que homem negro é criminoso ‘em razão da sua raça’

reprodução

Uma juíza do Fórum Central da Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná, aumentou em sete meses a pena de um homem negro, de 42 anos, após associar em uma sentença publicada em junho deste ano a questão racial à suposta participação em uma organização criminosa. A sentença condenatório foi proferida pela juíza Inês Marchalek Zarpelon.

“Com base na fundamentação da raça, ela aumentou a pena em uma das fases. Ela nunca poderia se utilizar da raça para fundamentar nada”, afirma Thayse Pozzobom, advogada que acompanha o caso. Segundo a advogada, o homem foi condenado a cumprir 14 anos, 2 meses e 45 dias multa de reclusão.

“Sobre sua conduta nada se sabe, seguramente integrante do grupo criminoso, em razão de sua raça, agia de forma extremamente discreta os delitos e o seu comportamento, juntamente com os demais, causavam o desassossego e a desesperança da população, pelo que deve ser valorada negativamente.

A advogada publicou em suas redes sociais, na noite da terça-feira (11), uma mensagem de indignação após a divulgação da sentença. “O nome do ser humano violado com as palavras proferidas pela magistrada é Natan Vieira da Paz, 42 anos, negro”, diz.

“Associar a questão racial à participação em organização criminosa revela não apenas o olhar parcial de quem, pela escolha da carreira, tem por dever a imparcialidade, mas também o racismo ainda latente na sociedade brasileira”, afirmou a advogada.