Juntos, Brasil e EUA planejam barrar China na OMS, e isso incluiria vacinas

Tom Brenner/ Reuters

Os governos dos Estados Unidos (EUA) e Brasil atuam para frear a influência política da China na Organização Mundial da Saúde (OMS) no momento pós-pandemia e, nesse contexto, a ordem é a de reduzir qualquer tipo de espaço para Pequim, inclusive no papel central que o país pode assumir para suprir vacinas e outros bens.

Para interlocutores dentro do governo, a crise aberta nos últimos dias entre Brasília e São Paulo em relação à vacina com tecnologia chinesa Sinovac é interpretada como parte dessa ofensiva e lógica para impedir um protagonismo ainda maior de Pequim.

A operação na agência, porém, é apenas parte de uma estratégia maior de conter a expansão chinesa. Questionar a qualidade da vacina do país asiático, colocar em dúvidas o papel das autoridades chinesas numa suposta liberação do vírus e impedir que propostas por parte de Pequim ganhem força são partes do “arsenal” diplomático endossado pelo Brasil.

Em reuniões fechadas, o governo brasileiro passou a atacar abertamente o regime chinês, fazendo eco ao ponto de vista americano. Por meses, o chanceler Ernesto Araújo ainda fez menção ao risco do vírus do comunismo.

Diante das falhas da OMS em dar uma resposta à pandemia, os EUA se lançaram numa ofensiva para reformar a entidade. A Casa Branca convenceu o Brasil a fazer parte do processo e, assim, tentar impedir que, num cenário pós-pandemia, a China saia mais forte economicamente e mais influente no cenário internacional.

Enquanto o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, passou meses apelando por unidade da comunidade e enquanto o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Antonio Guterres, alertou sobre os riscos da falta de uma resposta global, o objetivo político e diplomático do governo americano era outro.