Justiça condena a 17 anos de prisão homem que matou mulher a facadas

Foto: Divulgação/DPE-AM

Três anos após matar a facadas a companheira Josilene Ferreira de Araújo, em frente da filha do casal, Diego Fabrício do Nascimento Pacheco foi condenado a 17 anos e quatro meses de prisão, em regime fechado, pelo crime de feminicídio. A sentença foi dada, na última quinta-feira (18), pela juíza Maria da Graça Starling, da 2.ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus. Condenado, Diego saiu do fórum já preso.

O crime ocorreu em 2016, no Bairro da Paz, zona Centro-Oeste de Manaus, na casa onde o casal morava com os filhos. Diego matou Josilene com três facadas no pescoço, na frente da filha do casal, de apenas seis anos de idade na época. Ele confessou o crime e chegou a ser preso no mesmo dia pela Polícia, mas após dois anos mesmo sem ser julgado, foi posto em liberdade.

Revoltada com a situação, em julho de 2018, a família de Josilene procurou o Radar para clamar por Justiça, devido a demora no julgamento. Na ocasião, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), alegou que o processo aguardava agenda para ser pautado pelo Tribunal do Júri. 

Procurados por familiares da vítima, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), atuou de forma inédita como assistente da acusação em um caso de feminicídio, que é considerado crime hediondo no Brasil. A pena para este crime é de 12 a 30 anos de reclusão.

A defensora pública Pollyana Vieira, coordenadora do Nudem, que atuou como assistente de acusação, pontuou a necessidade de se qualificar o crime como feminicídio, para que as mortes anunciadas de mulheres envolvidas em um contexto de violência doméstica deixem a invisibilidade e comecem a não ser mais toleráveis pela sociedade. A defensora falou também sobre a dificuldade da mulher sair do ciclo de violência.

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM), representado no processo pela promotora de Justiça Lilian Nara Pinheiro de Almeida, reiterou as acusações presentes na denúncia e pediu aos jurados a condenação do réu. 

“Nós acreditamos que a sentença foi pouca, mas foi suficiente para ser feita a justiça sim. Pois ele se encontrava em liberdade e só de saber que ele voltou para onde não devia ter saído, já ficamos bem aliviados. Nossa luta foi intensa e esperamos 3 anos por justiça. Acho que a Defensoria foi bastante competente, a defensora lutou por uma justiça justa e confiamos muito nela”, declarou uma das irmãs da vítima, após o julgamento.

A Justiça também determinou que Diego não poderá recorrer em liberdade e, como um dos efeitos extrajudiciais da pena, perdeu seu poder familiar sobre os filhos. 

Com informações das assessorias do TJAM e da DPE-AM.