Justiça Militar decide prender policiais espancadores cuja punição parecia que ia ser apenas ficar “em serviços administrativos”

policial espancador

Soldado Jamesson Moreira, um dos policiais acusados de participar da sessão de espancamento e tortura

Ver nas emissoras de televisão o vídeo da tortura e do espancamento de três jovens, uma garota de 15 anos e dois rapazes de 18 e 22 anos, da comunidade Jesus Me Deus, Zona Norte da cidade,  – nem sei se vi totalmente porque a violência era tão grande que acabei fechando os olhos pra não ver mais nada daquilo – foi algo de inacreditável. Porém, o inacreditável aos olhos – e até aos ouvidos – de qualquer ser humano não parou por aí. Foi espantoso ver na entrevista do comandante geral da PM, coronel Giberto Gouvêa, ser dito que os policiais seriam afastados. Sabe pra onde? Para o setor administrativo, ficar sentado atrás de uma mesa, no ar-condicionado, como se o delito cometido fosse algo tão frágil que merecesse apenas uma reprimenda. E o comandante ainda passou um longo tempo falando de “investigação para apurar os fatos” e “ampla defesa”.

É lógico que se vive num Estado de Direito onde todo e qualquer cidadão tem direito da ampla defesa, mas será que diante daquelas cenas ainda há o que investigar e quem defender? Porque aquilo se viu não tem qualquer explicação! Dois garotos e uma menina que não estão armados, não fazem qualquer movimento violento, não demonstram resistência, sendo esmurrados, levando tapas e chutes, pauladas por todo o corpo. A garota sendo humilhada, obrigada a tirar a roupa, na frente de todos, sendo espancada e ainda tendo que bater nos rapazes. Isso só pode ser obra de alguém muito doente, que sofre de algum problema mental muito grave, um sociopata com tendência a impingir dor ao seu semelhante. Isso dificilmente tem cura.

Mas, a Justiça Militar decidiu pela prisão preventiva do cabo Fábio Luiz Paiva dos Santos, 37, e dos soldados Carlos Diego do Nascimento e Silva, 28, Jamesson Pinto Moreira, 27, requisitada pelo responsável pelo inquérito policial militar, o capitão Marcos Almeida. O três policiais militares foram levados por PMs da Corregedoria de Polícia para o presídio militar, n o bairro monte das Oliveiras, na Zona Norte de Manaus. (Any Margareth)

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Dois rapazes e uma garota foram espancados