Justiça suspende soltura e determina que “Tio Patinhas” retorne à prisão

Clemilson dos Santos Farias, o “Tio Patinhas”, é apontado como líder de uma facção criminosa atuante no Amazonas

foto tio patinhas

Foto: Divulgação

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) voltou atrás e suspendeu a soltura imediata de Clemilson dos Santos Farias, popularmente conhecido como “Tio Patinhas”, e apontado como um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), atuante no tráfico de drogas no Estado. A soltura de “Tio Patinhas” foi noticiada pelo Radar Amazônico na última quarta-feira (26).

Na ocasião, a juíza Rosália Guimarães Sarmento, da 2.ª Vara de Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute), entendeu que a denúncia contra ele foi julgada improcedente por fragilidade de provas.

A suspensão do pedido de liberdade foi assinada pelo desembargador plantonista José Hamilton Saraiva dos Santos. Baseado nos elementos que constam no processo n°. 0621104-81.2018.8.04.0001, que já possui mais de 1000 folhas magistrado entendeu que a prisão, o magistrado entendeu que a prisão preventiva é a medida mais adequada no momento.

“Observo que a prisão preventiva é a medida adequada ao presente caso, haja vista a necessidade de garantir a ordem pública, de acautelar o meio social e, ainda, de assegurar a credibilidade da Justiça, em virtude do poder que o Réu exerce dentro de uma facção criminosa que comanda o tráfico de drogas na região Norte, assim como, para garantir a aplicação da lei penal, em razão da iminente possibilidade de fuga, dado o elevado poder econômico do acusado”, ressaltou o desembargador.

O desembargador também ressaltou que o processo será redistribuído para a Primeira Câmara Criminal do TJAM, onde deverá ficar sob relatoria da desembargadora Vânia Marques Marinho, que já havia anteriormente relatado Habeas Corpus impetrado em favor do réu, o qual foi negado.

Prisão em Recife

“Tio Patinhas” foi preso em junho de 2018 em um apartamento de luxo em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana de Recife (PE). Na época, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) disse que ele morava na cidade com a esposa e os filhos há dois anos.

Ele é investigado por crimes como homicídios, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. No processo, a polícia inclusive juntou no inquérito que o réu possui mais de quatro imóveis e cinco veículos, demonstrando a possibilidade de suposto enriquecimento ilícito pela sua atividade criminosa.

tio patinhas

Momento que ‘Tio Patinhas’ foi preso – Foto: Divulgação

Os policiais que atuaram na prisão de “Tio Patinhas” apreenderam R$ 3,7 mil em espécie, pen drives, um notebook, dois cadernos, uma carteira de trabalho e a carteira de identidade que usava na cidade. De acordo com a polícia, o apartamento de luxo em nome dele teria sido comprado no valor de R$ 500 mil. Ele não ofereceu resistência no momento da prisão.

Em julho daquele ano, “Tio Patinhas” foi transferido para a Penitenciária Federal de Mossoró (RN), mas retornou para Manaus em novembro de 2020 com mais 12 detentos. Na época, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) solicitou à Justiça para que os respectivos detentos permanecessem em presídios federais, mas o pedido foi negado.

Aliança com o CV

De acordo com o processo, que tem cerca de mil páginas, “Tio Patinhas” fazia parte da Família do Norte (FDN), mas após briga com o narcotraficante José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”, ele saiu da FDN e, com Gelson Lima Carnaúba, o “Mano G”, firmaram aliança com o CV.

Atualmente, “Zé Roberto da Compensa” está preso no presídio federal de Campo Grande (MS), enquanto “Mano G” cumpre pena no presídio de Catanduvas (PR).

“Tio Patinhas” também teria aliança com o narcotraficante Kaio Wellignton Cardoso dos Santos, o “Mano Kaio”, que está foragido no Rio de Janeiro, que segundo a polícia e o inquérito policial, é apontado como líder do CV de alta periculosidade.

Veja a decisão na íntegra