Kassab e Omar Aziz levam uma “pernada” homérica das lideranças do PMDB de Braga

kassab e omar

Algo que me foi dito, durante as eleições do ano passado, por um deputado eleito não sai desde ontem da minha mente. “Lá em Brasília tu tens que ser muito hábil, se não tu não te crias não. Lá o jogo de poder é pesado, e se não tomar cuidado leva pernada de todo lado”, disse esse parlamentar quando conversávamos sobre a eleição do ex-governador Omar Aziz para o Senado Federal. Dito e Feito. Nesta quarta-feira, as intenções de Omar Aziz de construir – e ter sob sua liderança – a maior bancada parlamentar do Amazonas caíram por terra diante de uma “pernada” política daquelas de deixar qualquer um arriado. O “golpe” nas intenções de Omar foi desferido pelos líderes do PMDB no Congresso Nacional, partido do qual faz parte o ministro Eduardo Braga, adversário político de Omar, e “alvo” principal a ser atingido politicamente no Amazonas. Assim como o Radar contou meses atrás, o ex-governador e hoje senador Omar Aziz montou um projeto político onde haveria a formação de um novo grupo político, mais forte, com maior bancada, e Braga seria enfraquecido politicamente.

Omar pretendia fundir o PSD, partido que ele criou no Amazonas e do qual é a maior liderança local, com o PL, partido que ele é um dos articuladores da sua criação e para o qual pretendia levar todo mundo do PROS – até o governador José Melo. Em nível nacional, o presidente nacional do PSD, o ex-prefeito de São Paulo e hoje Ministro das Cidades de Dilma Rousseff – principal aliado político de Omar – pretendia fazer o mesmo, formar a terceira maior bancada do Congresso Nacional, quem sabe até a segunda maior bancada, desbancando o PMDB dessa posição. Só que esqueceu de neutralizar a astúcia de um PMDB que elegeu os dois presidentes das Casas Legislativas da capital federal, Eduardo Cunha na Câmara, e Renan Calheiros, no Senado.

Contando com isso, o PMDB decidiu sucumbir com os “sonhos de poder” de Kassab e, por conseguinte, de Omar. Em sessão extraordinária, foi aprovado ontem na Câmara Federal – inclusive com o voto do deputado federal amazonense, o peemedebista Marcos Rotta e com a devida articulação do presidente pemedebista da Casa, Eduardo Cunha, o Projeto de Lei nº 23/2015, que só admite a fusão entre as legendas que tiverem no mínimo cinco anos de registro definitivo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A proposta altera a Lei dos Partidos Políticos (9.096/95).

Ficou estabelecido ainda que, para a criação de novas siglas, é necessário o recolhimento de assinaturas de eleitores que não sejam filiados a partidos políticos. O texto agora segue para o Senado Federal. E lá, terá mais um presidente peemedebista (Renan Calheiros) para acabar com a alegria de quem tenta se pôr no caminho do PMDB. (Any Margareth)