Lacalle Pou afirma querer ter boas relações com Bolsonaro e Fernández

Foto Nicolás celaya

O presidente eleito do Uruguai, Luis Lacalle Pou, fez no sábado (30) um chamado ao fortalecimento das relações entre presidentes do Mercosul e criticou aqueles que considera como ditadores na América Latina.

“Teremos no Mercosul a melhor das relações com o presidente argentino, com o presidente brasileiro [Jair Bolsonaro] e com o presidente paraguaio [Mario Abdo Benítez] para levantar a região”, prometeu Lacalle Pou, 46, durante um ato de comemoração da sua vitória nas eleições de domingo (24) nas quais derrotou a governista Frente Ampla, de esquerda.

Alberto Fernández foi eleito na Argentina no fim de outubro, juntamente com sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner.

O ex-senador do Partido Nacional, de centro-direita, venceu com 48,8% dos votos o rival Daniel Martínez, que obteve 47,3%, após a conclusão, neste sábado, da apuração dos “votos observados”, habitualmente realizada pelo Tribunal Eleitoral.

A contagem final foi determinante no resultado do pleito devido à diferença apertada de cerca de 35 mil votos entre os dois candidatos à Presidência.

Diante de dezenas de milhares de pessoas reunidas em frente ao rio da Prata, em Montevidéu, Lacalle Pou enviou uma mensagem para outros governos latinos.

“Precisamos de uma região forte, com bons governos, que tenham um bom relacionamento”, disse ele, que assumirá em 1º de março de 2020 um mandato de cinco anos.

O presidente eleito lidera uma coalizão de cinco partidos, que contempla desde a direita até a esquerda social-democrata.

Ele fez críticas à política externa da Frente Ampla: “Não importa o partido, nem a ideologia. Se nos guiarmos pela ideologia nas relações exteriores, não estaremos representando todo o país, e nosso interesse é de todos e cada um dos uruguaios.”

“Está claro que, nas relações exteriores, não nos envergonharemos. Está claro o que iremos fazer: vamos chamar os ditadores de ditadores”, enfatizou o presidente eleito, que, durante a campanha eleitoral, disse que a posição do atual governo sobre a Venezuela é “uma vergonha nacional”.

O Uruguai, assim como México e Cuba, não integra o Grupo de Lima, que pressiona para que o ditador Nicolás Maduro deixe o poder, e vem buscando uma posição de mediação entre Caracas e os países da região.