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Laís Souza sonha em “mexer os braços” e quer montar clínica especializada

Ex-ginasta esteve em Fortaleza para dar palestra e voltou a falar sobre a chance de se tornar atleta de bocha. Nesta semana, ela postou vídeo em que cabeceia uma bola

Durante a entrevista, um fio de cabelo descia pelo rosto de Laís Souza, separado do restante. Ela, pacientemente, respondeu a todas as perguntas sem parecer se incomodar com ele. No final da entrevista, foi pedido a ex-ginasta que fechasse os olhos e contasse qual era a primeira imagem que surgiria na sua mente.

– Eu juro que eu mexia os braços. Por exemplo, tem um fio de cabelo no meu rosto. Eu tiraria ele. Eu me vejo escovando os dentes ou tomando um bom banho, quem sabe. Ou talvez, sairia correndo loucamente pela praia – disse, contendo a emoção com o sonho que nunca fez questão de esconder: voltar a ser quem sempre foi. Embora, ela goste e tenha aprendido muito com quem é agora.

Nesta semana, Laís Souza postou um vídeo em suas redes sociais. Nele, com a ajuda de um equipamento, ela consegue ficar em pé e cabecear uma bola em sua sessão de fisioterapia. Desafiou o amigo Neymar e mandou recado: “Vai treinando que tô chegando”. E essa rotina de atividades compartilhada com os seus seguidores dá mais força para que não desista e siga firme.

– Olha, as mensagens que eu recebo me dando força são muito importantes. Fazem com que eu tenha mais força para continuar firme, todo dia.

Exemplo de superação, inclusive para os profissionais de fisioterapia, Laís conta que tem um desejo: montar uma clínica especializada ou um instituto, que alie as terapias para o corpo com a psicologia. Porque, enfim, a mente também tem suas feridas que precisam ser curadas. E as dela vão sarando aos poucos, com cada evolução ou ainda com os exemplos de vida que encontra nas andanças pelo País, em suas palestras.

– Eu quero ajudar com a minha experiência, com o que eu aprendi desde que eu vim para a cadeira – disse.

Laís Souza pode até estar longe do esporte agora. Mas não desistiu dele. Depois de conhecer a bocha paralímpica, no Rio de Janeiro, em 2016, ela cogita começar a praticar o esporte e, quem sabe, estar nos Jogos Paralímpicos de 2020, em Tóquio. A ex-ginasta está enquadrada na categoria BC3, para atletas que precisam de ajuda para posicionar a cadeira e jogar a bola.

– Eu conheci a bocha no Rio, durante a Paralimpíada, e me interessei bastante. Daí, comecei a considerar que poderia ser um esporte para mim. E, quem sabe, eu não estou lá em 2020, disputando?

Laís Souza esteve em Fortaleza para ministrar palestra sobre “fisioterapia e superação”. Durante cerca de um hora, ela contou sua história de vida e como vem superando as dificuldades todos os dias, desde que sofreu o acidente que a deixou tetraplégica, em Sochi, na Rússia, quando treinava esqui aéreo para as Olimpíadas de Inverno, em 2014.

Fonte: GE