Laudo do IML desmente polícia e confirma versão da família de que jovem foi morto por arma de fogo

A família acusa policiais da ROCAM de terem matado o jovem; já a polícia declarou que o jovem havia morrido de "mal súbito"

Foto: Reprodução

O relatório do Instituto Médico Legal (IML) que o Radar teve acesso nesta terça-feira (04) confirma a versão da família de Antônio Carlos Almeida Fernandes, de 20 anos, que afirma que o jovem morreu decorrente de tiros efetuados por policiais da Rondas Ostensivas Cândido Mariana – ROCAM, após suposta ação truculenta da polícia na comunidade. Na noite dessa segunda-feira (03), o tenente André Rocha havia afirmado para a reportagem que a vítima não teria sido executada por arma de fogo e sim teria tido um mal súbito. (ver documento no final da matéria)

Após a morte de Antônio, familiares e moradores do Tarumã fizeram uma manifestação em repúdio à ação da polícia no local. No laudo pericial, é possível identificar  que a causa médica da morte é “Anemia Aguda”,  Traumatismo Abdominal por ação perfurocontudente (lesão causada por arma que feriu área do abdômen). A causa da morte é colocada como arma de fogo.

Por conta da causa da morte do jovem, o Radar foi até a UPA Campos Sales para procurar saber se foi encontrado no corpo resto dos projéteis para identificar se é de uma arma utilizada pela polícia.

Chegando no local, foi informado pela direção da UPA que quem se manifesta nesses casos é o Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz. Fomos até o local e a assessoria se manifestou no sentido de que “Antônio Carlos Almeida Fernandes, de 20 anos, deu entrada na unidade no final da tarde do dia 03/01/2022, trazido por uma viatura da Rocam, e o mesmo já chegou na unidade em PCR (Parada Cardiorrespiratória). Todos os procedimentos foram realizados conforme estabelecido para PCR, porém sem retorno, tudo foi evidenciado em prontuário. Em seguida o corpo foi encaminhado para o IML.”

Questionamos se foi encontrado no corpo de Antônio pela equipe médica restos ou o projétil na lesão provocada pela arma de fogo. Isso não foi respondido para a reportagem até o momento.

Entenda o caso 

Uma ação truculenta de policiais das Rondas Ostensivas Cândido Mariana teria supostamente resultado na morte de Antônio Carlos Fernandes, de 20 anos. A população acusa a polícia de ter executado o jovem com dois disparos de arma de fogo. Após o ocorrido, a população fechou a rua e ateou fogo na estrada. Amigos da vítima mostraram duas cápsulas de bala que foram recolhidas logo após a ação. Ainda de acordo com os moradores, a polícia invadiu as casas sem ter nenhuma ordem judicial, e tratou todos como se fossem bandidos.

Após Antônio Carlos ter sido baleado, ele ainda foi algemado e agredido pelos policiais, que demoraram quase uma hora para socorrê-lo e encaminhá-lo para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales. Na unidade de saúde, ele não resistiu aos ferimentos e foi à óbito na noite dessa segunda-feira (03).

A irmã de Antônio Carlos, Francisca Fernandes, estava na UPA Campos Sales,  e segundo ela os médicos disseram que ele teve uma parada e que não tinha tiro nenhum. Porém segundo ela, os tiros atingiram as costas e quando ela foi ver o corpo de seu irmão o médico não deixou que ela visse as costas.

“O médico disse que não tinha perfuração, sendo que a perfuração era atrás e ele não deixou eu ver. Quando eu tentei abrir mais um pouco o plástico ele não deixou”, disse.

O Radar questionou da Secretária de Segurança Pública (SSP-AM) o motivo que levou os policiais a agirem de tal forma dentro da comunidade, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta.

Veja relatório do IML na íntegra