Laudo pericial mostra a crueldade do assassinato de Jerusa cometido por seu ex-marido

O Radar teve acesso, com exclusividade, ao laudo da perícia do local do assassinato da empresária Jerusa Helena Torres Nakamine, um documento que descreve um crime bárbaro cometido de forma covarde e cruel. Como não poderia deixar de ser, o Radar embaçou todas as fotos da vítima que estavam no laudo, mas elas tornam-se desnecessárias diante do que descrevem os peritos criminais Mestre Gisele Barreto Moreira (relator), Mestre Ilton Soares Oliveira (revisor) e Doutora Cinthia Barreto Chagas Vieira (revisor) – ver laudo pericial no final da matéria.

O Radar decidiu ir atrás de informações sobre o assassinato de Jerusa após sabermos, através de fonte confiável, que havia tentativa de encobrir o crime “plantando” na imprensa a “suspeita de suicídio”, o que chegou inclusive a ser publicado.

Mas o laudo da perícia conta história bem diferente. Jerusa foi assassinada no dia 12 de abril desse ano, em sua residência no Campos Elíseos – todas as informações foram retiradas do laudo pericial. Ela levou 18 golpes de faca, alguns deles profundos, como descrevem os peritos num desenho que está no laudo. A maioria dos golpes foi no rosto e pescoço. Cortes profundos, na parte de trás e na frente do pescoço da empresária mostram que ela quase foi degolada.

Um desses golpes, visivelmente uma ação de defesa, cortou músculos e tendões, chegando ao osso do antebraço esquerdo da vítima. Jerusa foi atacada a noite, em seu quarto.

Vizinhos de Jerusa contaram à polícia que o ex-marido da vítima, Ivan Rodrigues das Chagas, 56 anos, foi visto por volta das 5 da madrugada saindo de casa. Logo depois ele teria retornado e, totalmente descontrolando, chorando e gritando, chamou a polícia, dizendo ter encontrado a mulher morta, o que demonstra premeditação.

A perícia apontou diretamente para o ex-marido. “No local não foi encontrado desalinho das coisas e objetos que indicasse luta e/ou movimentação por busca e subtração de objetos de valor, nem sinais de abertura forçada das portas e portões”, diz o laudo, o que significa que o assassinato de Jerusa não foi um assalto que acabou em morte, nem a entrada foi forçada, levando a crer que o criminoso estava dentro da casa e foi ao quarto de Jerusa apenas para matá-la.

Confrontado com as evidências, principalmente com um laudo pericial que apontava diretamente pra ele, Ivan Rodrigues confessou. Mas está solto até hoje. Enquanto isso, busca judicialmente tomar conta dos bens de Jerusa, inclusive uma empresa de segurança que está no nome dela, e pra fazer isso entrou com ação pra que a Justiça reconheça uma “união estável” que ele diz ter com uma mulher que ele cruelmente assassinou.

Veja o laudo da perícia na íntegra