Leão, hienas, pitbull e outros bichos no teatro do absurdo

Nunca foi tão atual a música do Legião Urbano “Que país é esse?”. Afinal qual o país do mundo no qual você já ouviu falar que a população dorme e acorda ouvindo besteiras, sem nenhuma comprovação, ditas pela autoridade maior da Nação? Qual o país do mundo em que você já ouviu falar que os filhos do presidente parecem mandar mais que o Chefe do Executivo e chegam a cometer o crime de escrever nas redes sociais como se fossem o pai? Qual o país em que um presidente e seus filhos esculacham membros dos outros poderes da Nação, sejam eles do Executivo, Legislativo ou Judiciário, fazendo piadas de mau gosto e até comparando-os aos bichos? Qual o país desse planeta em que o presidente humilha e desrespeita pessoas publicamente e logo depois desdiz o que falou, culpa a imprensa dizendo que “distorceram suas palavras” ou pede desculpas e tudo fica por isso mesmo, como se nada tivesse acontecido?

Eu não lembro em que lugar do mundo fatos tão bisonhos ocorram ou tenham ocorrido. Infelizmente isso acontece no Brasil. E na noite dessa segunda-feira (29) nós dormimos com mais um exemplo da idiotice nacional. O presidente Messias Bolsonaro ou um de seus filhos, denominados por números, 01 (Flavio Bolsonaro), 02 (Carlos Bolsonaro) e 03 (Eduardo Bolsonaro) ou por raça de cachorro (Carlinhos Pitbull), publicaram um vídeo na internet em que o presidente é um leão cercado e atacado por hienas.

Até ai, tudo bem, no caso do presidente Bolsonaro querer dar uma de Leão – se bem que ele está mais para Chihuahua do que para Leão nas mãos dos seu filhos. Mas o caso é que no vídeo há umas legendas feitas de maneira bastante amadoras e toscas nominando as hienas como partidos políticos, como por exemplo PT, PSOL, PSDB ou seu próprio partido, o PSL, veículos de comunicação, como a Rede Globo, a Folha e a revista Veja, chegando ao absurdo de chamar de hienas a Ordem dos Advogados do Brasil e até o Supremo Tribunal Federal (STF).

Horas depois o vídeo foi tirado, assim como vieram, nessa terça-feira (29), cenas do costumeiro teatro do absurdo do presidente Messias Bolsonaro, com esdrúxulos pedidos de desculpa dizendo ter sido cometido um erro que ele não disse de quem, nem como e nem por quê. O que restou dessa história foi a desmoralização de instituições respeitadas em todos os países do mundo. Isso porque no Brasil conhecido por seu povo fantástico, quem manda agora são bichos escrotos.