Lei Anticrime: cidadãos de bem e os filhos de ninguém

Parafraseando os adoradores do presidente mito Jair Messias Bolsonaro, melhor jair vendo o que vai dar pra nós, o zé povinho, caso seja aprovada no Congresso Nacional a Lei Anticrime do ministro da Justiça, herói nacional e popstar, juiz Sérgio Moro, que propõe alteração nas regras que tratam da legítima defesa e da atuação de policiais em confronto armado. O que representa essa mudança para aqueles a quem Bolsonaro chama de “cidadãos de bem” ou aqueles que são tratados como filhos de ninguém?

Mesmo a legislação já protegendo os policiais que, eventualmente, matam um criminoso para se defender ou defender as vítimas, Moro achou que deveria “tornar claras na lei” as situações que hoje já são reconhecidas como de legítima defesa pelos tribunais”. Há quem diga que o governo de Bolsonaro está dando “autorização para matar”, algo sobre o qual Bolsonaro – ele não pode ser acusado de mentiroso – falava abertamente durante a campanha a presidente, como por exemplo que “policial que matavam 10,15 ou 20 deveria ser condecorado”.

E de quais policiais Bolsonaro estava falando? Será que são os mesmos que acabaram sendo presos por fazerem parte de milícias no Rio de Janeiro, acusados de extorsão de moradores e comerciantes, agiotagem, sequestros, grilagem de terra e até assassinato? Aqueles cujos parentes estavam lotados no gabinete do seu filho, deputado Flávio Bolsonaro e que receberam homenagens no Legislativo pelos “relevantes serviços prestados à sociedade” ? Esses são os cidadãos de bem classificados por Messias Bolsonaro. O mesmo Bolsonaro que fazia discursos, quando era deputado, a favor das milícias e de suas cobranças de “taxa de segurança” aos pobres moradores de favelas.

Bom lembrar que o Radar sempre travou todas as lutas ao lado dos policiais por melhores salários e condições de trabalho, mesmo estando o governo do outro lado do “cabo de força”. Mas, não dá pra não enxergar os números da violência no Brasil que indicam o crescimento da violência policial contra civis. Em 2017, mais de cinco mil civis foram mortos pela polícia – euzinha não estou querendo dizer que todas essas pessoas são inocentes e nem que são culpadas, afinal num Estado de Direito como o nosso, não cabe a mim – e nem aos policias – fazer julgamentos e nem, determinar sentenças de morte. Nesse mesmo ano (2017), 385 policiais foram assassinados.

E vale ressaltar que o assassinato de civis, contribui inclusive para a violência contra policiais que são vítimas de retaliações pelos violentos abusos cometidos por colegas. Além do que fica visível nos números que a morte de civis em nada tem contribuído para reduzir a violência que cresce, ano após ano, e que atinge principalmente, jovens, negros, pobres, gente a quem muitos tratam como filhos de ninguém.

Os filhos do Zé Povinho vão estar expostos injustamente ao que está escrito na Lei do ministro da Justiça e juiz multimídia, Sérgio Moro, sobre um outro colega de toga deixar de aplicar punição ou reduzir a pena até a metade, caso o excesso na legítima defesa cometido por um policial se der “por escusável medo, surpresa ou violenta emoção”.

Por isso, vocês que são tratados como filhos de ninguém, que não estão na lista dos cidadãos de bem de Bolsonaro, não mexam um músculo, não tenha qualquer reação, caso um policial te dê um empurrão contra a parede, bata com os coturnos pra ti abrir as pernas, te xingue por causa do teu brinco ou da tua tatuagem ou queira que tu proves o que está fazendo de madrugada na rua. Se o policial ficar “com medo, surpreso ou sentir violenta emoção”, ele pode te dar um tiro, totalmente justificável.