Lugar de ministra é em casa!

Até que enfim concordamos com alguém do futuro governo do presidente Jair Bolsonaro. A advogada e pastora evangélica, Damares Alves, convidada pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, para assumir o Ministério de Direitos Humanos, Família e Mulheres, durante entrevista concedida em março deste ano a um canal do YouTube, o Expresso Nacional, do ativista evangélico Jaufran Siqueira, criticou o fato das mulheres atuais passarem pouco tempo em casa e disse que mulher “nasce pra ser mãe”.

No caso da possível ministra de Bolsonaro, concordamos em gênero, número e grau! Ela bem que poderia estar em casa fazendo o que nasceu pra fazer: ser mãe. A senhora Damares Alves apoiou todas as suas convicções em algo que ela denominou de “padrão cristão”, o que é totalmente aceitável ao ser um posicionamento pessoal de qualquer mulher cristã, mas nada correto ao se tratar de um ministro de Estado de um pasta como a de Direitos Humanos que deve fazer valer o direito de qualquer ser humano, seja ele cristão ou não. O “padrão cristã” da quem sabe futura ministra serve pra ela, mas de jeito algum serve pra mim, por exemplo, e olha que sou mãe e sou cristã, mas jamais vou acreditar que minha função maior nesse planeta é a procriação.

O mesmo raciocínio é válido quando lembramos que o Ministério para o qual a pastora Damares foi convidada trata da defesa dos direitos das mulheres, não só as cristãs, tenham elas qualquer credo e estejam ou não dentro dos padrões do cristianismo. Até porque no maior dos mandatos, “amai ao próximo”, Jesus Cristo não disse que o próximo – ou no caso a próxima – deveria obrigatoriamente seguir os padrões cristãos”. Então, como vai defender os direitos das mulheres, alguém que acha que uma mulher nasceu pra ser mãe? Quer dizer que as mulheres não têm o direito de optar por não procriar?

Bom lembrar ainda para a advogada Damares Alves que a maior de todas as Leis desse País, a Constituição Federal, define o Brasil como um estado laico, que tem como princípio a imparcialidade em assuntos religiosos, o mesmo que dizer que a religião não deve ter influência nos assuntos do Estado. Então, o discurso da advogada vai na contramão da Constituição com a defesa de seu “padrão cristão de sociedade”.

Mas, a situação fica ainda pior, se pensarmos que o discurso da possível futura ministra se parece muito com o de certos homens machistas e abusadores de mulheres que dizem que lugar de mulher é em casa cuidando das crianças e que tem mulher que gosta de trabalhar fora é pra ficar na sacanagem.

Por todos esses motivos, vamos torcer e rezar muito para que a favorita de Bolsonaro para o Ministério dos Direitos Humanos, Família e Mulheres decida seguir sua maior vocação que é a de ser mãe. Estamos na torcida: vá pra casa ministra!