Macron vence Le Pen e garante novo mandato na França

Público reunido no Champ de Mars, em Paris, reage após projeções apontarem vitória de Macron na França — Foto: Ludovic MARIN / AFP

O presidente ​Emmanuel Macron, 44, foi reeleito, neste domingo (24), para mais cinco anos como presidente da França. É o que indicam as projeções divulgadas logo após o fechamento das urnas, às 20h, no horário local (15h de Brasília). De acordo com o instituto Ipsos, Macron obteve 58,2% dos votos, à frente de Marine Le Pen, 53, com 41,8%.

Os números são estimativas calculadas a partir dos resultados das seções eleitorais que encerraram a votação às 19h —nas grandes cidades, o voto continuou por mais uma hora.

O resultado final deve ser contabilizado ainda neste domingo, mas 15 minutos depois da divulgação da projeção Le Pen já admitiu a derrota em discurso a apoiadores. A última pesquisa divulgada antes da decisão, na sexta (22), mostrava Macron com 57% das intenções de voto, contra 43% da rival.

Macron será o primeiro presidente a ser reeleito na França desde o conservador Jacques Chirac (1995-2007).

Discurso de vitória

Em seu discurso de vitória, ele afirmou que quer governar para todos. Depois de agradecer seus próprios eleitores, o presidente reeleito citou três grupos:

  • Os que votaram nele para evitar o projeto de extrema direita representado por Le Pen; a esse grupo, afirmou que tem consciência que a escolha por ele o torna depositário do apego à República;
  • Aqueles que se abstiveram: Macron afirmou que o “silêncio” desses eleitores também tem significado;
  • Aos eleitores de Le Pen; segundo Macron, ele precisa governar para todos em volta, e a raiva e os desentendimentos precisam encontrar respostas.

Macron disse duas vezes que seu projeto é transformar a França em uma nação ecológica.

“Serei exigente e ambicioso, temos muito a fazer. A guerra na Ucrânia está aí para lembrar que a França deve levar sua voz e a clareza de suas escolhas e reconstruir sua força em todos os domínios, e nós faremos isso”, disse ele.

Le Pen reconheceu a derrota

Menos de 15 minutos depois da divulgação das projeções, a candidata Le Pen se pronunciou. Ela admitiu a derrota e afirmou que o resultado ainda é uma vitória para o seu movimento político.

A desafiante ainda disse que a vontade de defender o que é francês foi reforçada, e que seus partidários já foram declarados mortos milhares de vezes, mas sempre foi errado, e que o cenário político francês está se recompondo.

As últimas pesquisas divulgadas na sexta-feira já indicavam que o candidato do “República em Marcha” (LREM), de 44 anos, venceria sua rival do Reunião Nacional (RN), de 53 anos, com uma vantagem menor do que em 2017, quando foi venceu com 66,1% dos votos.

Cinco anos depois, a França não é o mesmo país em que o centrista havia vencido pela primeira vez: protestos sociais marcaram a primeira metade do mandato de Macron, uma pandemia global confinou milhões de pessoas e a invasão russa da Ucrânia abalou todo o continente europeu.

A guerra às portas da União Europeia (UE) marcou a campanha eleitoral, embora a principal preocupação dos franceses seja o seu poder de compra, num contexto de aumento dos preços da energia e dos alimentos.

Além de escolher entre dois modelos de sociedade, os eleitores tinham nas mãos a escolha do lugar no mundo que querem para essa potência econômica e nuclear até 2027.

Le Pen propunha em sua campanha inscrever na Constituição a “prioridade nacional”, a fim de excluir os estrangeiros dos auxílios sociais, e defendia o abandono do comando integrado da Otan e a redução dos poderes da União Europeia.

Como foi a campanha

Em contrapartida, Macron defendeu uma Europa mais forte, seja em questões econômicas, sociais ou de defesa, e espera dar um novo impulso reformista e liberal à França com sua proposta de adiar a idade de aposentadoria de 62 para 65 anos, que em 2020 já gerou protestos em massa.

Uma das chaves para isso estará nas eleições legislativas que serão realizadas nos dias 12 e 19 de junho. De acordo com uma pesquisa divulgada na sexta-feira, 66% querem que Macron perca sua maioria parlamentar.

A última “coabitação” remonta ao período de 1997 a 2002, quando Chirac nomeou o socialista Lionel Jospin como primeiro-ministro.

Os primeiros-ministros social-democratas da Alemanha, Espanha e Portugal, bem como o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, manifestaram seu apoio a Macron durante a campanha.