Mãe denuncia descaso no ‘Joãozinho’ após esperar 7 horas por resultados de exames de sangue e raio-x (ver vídeo)

Adriana conta que mesmo com o exame pronto, demorou horas para ser atendida

“Isso é um descaso com a gente, estou aqui desde 13h”, denuncia Adriana Borba, uma mãe que aguardou por horas o resultado do exame do filho no Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, conhecido popularmente como Joãozinho (HPSCZL), nessa terça-feira (23). Em vídeo enviado a reportagem do Radar, a mãe de um bebê de cinco meses registra o longo tempo de espera por um exame e a recepção da unidade hospitalar lotada de crianças e responsáveis que aguardavam por atendimento.

A denúncia da mulher de 33 anos se soma a série de descasos da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) realizados no mesmo hospital infantil e que já foram denunciados através de ‘lives’ do Radar e matérias com depoimentos de pais desesperados por atendimentos.

Em entrevista, Adriana contou à reportagem que passou cerca de 7 horas no ‘joãozinho’ aguardando atendimento do filho que sofre com secreções nos pulmões e cansaço no corpo.

“Cheguei no joãozinho às 13h e fiquei até 20h esperando o ao lado de diversas ‘mãezinhas’ (sic.) que estavam lá antes de mim”.

Após a consulta médica, que ela classificou como “sem nenhum cuidado e atenção”, o bebê foi encaminhado para realizar exames de sangue e raio-x, que, apesar de serem exames de baixa complexidade,  ficaram prontos no fim da tarde e só foram entregues à noite.

“O exame ficou pronto por volta das 17h30, e um dos funcionários foi na recepção falar, mas não atenderam, só fui falar com o médico às 20h e porque fiz escândalo”, revela Adriana.

E mesmo após o aguardo exaustivo, Adriana ainda não teve a situação do filho resolvida. De acordo com ela, o médico não deu um diagnóstico preciso e encaminhou o bebê para casa e receitou inalações. Menos de um dia depois de atendido, os sintomas da criança persistem.

“Ele chegou lá com febre e cansaço e mesmo após os exames, o médico receitou um remédio que ele já estava tomando e mandou ele ir pra casa. Hoje ele continua com os mesmos sintomas e nem sei o que fazer já que eles (médicos) olham os resultados e não fazem nada”, disse.

Posicionamento da SES

O Radar procurou a Secretaria de Saúde para questionar a situação logística das equipes de saúde e o porquê da demora nos atendimentos. Além disso, foi ressaltada as outras denúncias que já haviam sido informadas à pastas e que à época eles informaram que seriam resolvidas.

Em nota a direção do Joãozinho informou apenas que os casos citados são “eventuais”. A Secretaria não esclareceu quais medidas está tomando para desafogar a unidade. Confira na íntegra:

“A direção do Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste (HPSZ-ZL) esclarece que, por se tratar de porta-aberta, a unidade pode enfrentar eventuais picos de lotação, que são pontuais. O aumento da demanda em prontos-socorros infantis está associado à sazonalidade principalmente de doenças diarreicas e respiratórias, sendo necessário a avaliação minuciosa de cada paciente.”

“Em relação a paciente da reportagem, a direção da unidade esclarece que a criança recebeu toda a assistência da unidade hospitalar, incluindo atendimento médico, realização de exames e uma nova avaliação médica após o resultado dos exames.”

Pais denunciam descaso

A unidade hospitalar é alvo de reclamações frequentemente.
Foto: ilustrativa.

Essa não é a primeira vez que o Joãozinho é alvo de denúncias. Ao longo do ano, o Radar já recebeu outros apelos de responsáveis, como em julho deste ano, quando a reportagem esteve no local e  flagrou a lotação do hospital e o desespero de pais que aguardavam atendimentos.

Além dos atendimentos cotidianos, responsáveis de crianças que precisam passar por procedimentos mais complexos também sofrem com a falta de estrutura.

Familiares da pequena Emilly dos Santos tiveram que protestar em frente a unidade de saúde para pedir a realização de uma cirurgia nas pernas da criança que havia sido atropelada. O procedimento não estava sendo realizado por suposta falta de material cirúrgico.