Maioria dos deputados vota contra projeto que destinava moradia às mulheres vítimas da violência

Alessandra Campêlo 25 capa

A deputada estadual Alessandra Campêlo (PCdoB) lamentou profundamente nesta quarta-feira, 24 de fevereiro, a derrubada do projeto de lei de sua autoria que previa cota de 5% de moradias em programas habitacionais financiados pelo Governo do Estado para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.

“Foi derrubado aqui um grande projeto pelo simples fato de que os deputados não concordam que as mulheres vítimas de violência tenham acesso a direitos e dignidade”, enfatizou Alessandra, que revelou estar “triste” e “decepcionada” com o Parlamento que ela considera “machista”.

Se aprovado pela Casa, o PL seria uma política pública estadual de medida protetiva para as mulheres que já sofreram ou sofrem nas mãos dos companheiros e que não têm mais como voltar para casa. Alessandra acredita que muitas mortes seriam evitadas e os índices de violência contra as mulheres, que são alarmantes no Estado, poderiam ser diminuídos com a efetivação da lei.

“Esses deputados (referindo-se aos que votaram contra o PL) talvez desconheçam que o Brasil figure entre os países com maior número de homicídios de mulheres, a maioria deles praticados dentro de casa por seus companheiros. Esses deputados talvez não saibam que as cidades do Amazonas figuram entre as mais violentas do mundo em violência doméstica contra a mulher”, concluiu Alessandra, acrescentando que a derrubada do PL foi uma ação deliberada contra as mulheres.

Apenas cinco votos favoráveis

Na sessão de terça-feira, 23, além de Alessandra, votaram a favor do projeto apenas os deputados José Ricardo Wendling (PT), Luiz Castro (Rede), Sinésio Campos (PT) e Wanderley Dallas (PMDB).

“Eu achei um absurdo os deputados governistas se reunirem para votar contra esse projeto”, afirmou José Ricardo, que reafirmou seu apoio ao projeto de Alessandra na sessão plenária desta quarta-feira.