Mais de 300 trabalhadores terceirizados da saúde ‘invadiram’ a Assembleia Legislativa para protestar; Josué escafedeu-se

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protesto-profissionais-saude-assembleia-3Os ânimos estavam a flor da pele e, quando o deputado Orlando Cidade estava se pronunciando e falando da pesca do Amazonas, trabalhadores do sistema de saúde pública de diversas funções  entraram no plenário e começaram a gritar reivindicando salários.

E não foi fácil para os servidores da saúde entrarem na chamada “Casa do Povo. Para isso, foi necessário a intervenção de vários deputados. No plenário já se encontravam alguns motoristas e enfermeiros de ambulâncias.

Foi notado o sumiço do presidente da Casa Legislativa, o deputado Josué Neto, candidato a vice-prefeito da coligação de Marcelo Ramos. Como de costume quando a situação fica feia, quem assumiu a cadeira de presidente foi o deputado Belarmino Lins (PROS), que ameaçou encerrar os trabalhos do dia de hoje alegando que a manifestação dos salários atrasados estava se tornando um ‘tumulto’. Não deu outra e Belão recebeu uma sonora vaia dos trabalhadores.

Alegando ter a solução, o líder do governo na Casa, o deputado David Almeida, após dar um monte de ligações telefônicas, afirmou que os salários caem na conta amanhã. “Falei com todas as secretarias e confirmei que amanhã os salários serão pagos. Desde ontem a folha está pronta. Esses trabalhadores recebem pela Caixa Econômica e o governo tem conta no Bradesco por isso será pago amanhã. E já temos depositados o valor de R$ 2,78 milhões”, prometeu Almeida.

Se o o líder do Governo conseguiu falar com o secretário de Saúde não se sabe, porque ele nem tocou no nome de Pedro Elias, mas o deputado Belão, líder do partido do governador, o PROS, na Assembleia Legislativa, e então presidente da Casa nesta quinta-feira (20) não conseguiu de jeito nenhum e ainda comentou em alto e bom som: “tentei falar com o secretário mas o telefone dele está desligado”.

protesto-profissionais-saude-assembleia-2Mas os trabalhadores pareciam não estar acreditando muito na promessa do líder do Governo na Assembléia, porque insistiram que outros deputados, como por exemplo o presidente da Comissão de Saúde da Casa, Ricardo Nicolau, tomasse a frente das tratativas. Os trabalhadores pediram ainda a interferência dos deputados de oposição como Alessandra Campelo e Luiz Castro.

Apesar de Davi Almeida afirmar que o pagamento será efetuado amanhã (21 de outubro), a notícia que corria a boca miúda pelos corredores da Assembleia, é que isso deve acontecer só na próxima segunda-feira. Outro ponto importante a destacar, é que esse valor informado por Almeida se refere apenas ao mês de agosto, sendo que há funcionário que não recebem há quatro meses e alguns chegam há sete meses de salários atrasados..

Quando questionado sobre os demais meses de salários atrasados, Almeida afirmou que o salário de setembro será pago dez dias após o primeiro pagamento. Quanto aos demais meses ele se resumiu em dizer: “não tenho essa informação”. A deputada Alessandra Campelo (PMDB), disse que o governo quer dar um ‘cala boca’ nos trabalhadores da saúde prometendo pagar um mês de salário. “Isso é uma falta de respeito. As pessoas estão com fome, sem salários, e até sem material para trabalho e o governo manda dizer que vai pagar um mês. Isso é brincadeira”, afirmou.

protesto-profissionais-saude-assembleia-4A parlamentar ainda se envolveu em uma discussão com o deputado Orlando Cidade. Enquanto ele falava da pesca os trabalhadores gritavam pedindo que o assunto fosse a saúde pública que está um caos. Cidade se exaltou e aos gritos no microfone da tribuna disse: “é meu direito falar no tempo que me foi concedido. Não vou parar só porque a deputada está pedindo”. Na mesma hora o parlamentar foi rebatido pelos trabalhadores que estavam na Casa e que gritavam “experimenta ficar sem receber”.

“O pirarucu é importante, mas com tudo isso acontecendo não tem que ficar meia hora falando só de peixe. As pessoas estão sem receber e não têm dinheiro nem pro pirão que dirá pro peixe, retrucou Alessandra.

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