Mais de 60 mil mulheres foram vítimas de violência doméstica nos últimos três anos em Manaus

Relato de vítima de violência doméstica/ Foto: reprodução

Marcas e dores que começam na pele e se eternizam na alma. Esse é o peso que mulheres vítimas de violência doméstica carregam após o trauma de serem violentadas. Nos últimos três anos, mais de 60 mil mulheres foram vítimas de violência em Manaus.

Os dados, coletados no site da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), chamam atenção para um problema que, apesar de acontecer frequentemente, ainda é subestimado e ignorado pela sociedade.

2019

Em 2019  foram registradas 17.984 casos de violência. Deste total, a maioria das denúncias tinham como o agravante a realização de injúria, que consiste em ofender a honra e a dignidade da mulher.

Nesse mesmo ano, um caso repercutiu bastante na cidade, quando um homem, identificado como Cleiber de Castro Costa,  foi ao local onde a ex-mulher trabalhava e a violentou com tapas e empurrões.

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À época, ele foi preso e durante esse processo, a polícia descobriu que ele possuía diversas passagens por violência doméstica.

2020

No ano seguinte, o número de casos saltou para 23.799 e o maior agravante das denúncias era injúria.

Em 2020, um dos casos que chamou atenção envolvia a ex-cunhã poranga M. A.. A mulher teve a casa invadida pelo ex-marido, o publicitário Bruno Guedes, e foi violentada com um tapa.

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Após a repercussão, o agressor chegou a negar que não teria violentado a mulher e que só tinha dado um ‘tapinha’ nela de “quatro dedos”.

2021

De janeiro a outubro deste ano, o total de registros de violência já chegou a 18.870. A maioria deles está ligado à ameaças, são 5.337 denúncias dessa natureza.

E assim como nos anos anteriores (e séculos), 2021 teve casos marcantes envolvendo esse tipo de violência.

Como é o caso de T.R., que foi brutalmente agredida grávida pelo período de quatro dias pelo ex-namorado. A vítima revelou toda a história do casal e que o agressor, Rafael Leão Geber, tinha ciúmes excessivos e não aceitava o fim da relação. Além disso, ele não teria gostado de descobrir que seria pai.

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Até hoje a vítima sofre com os traumas e medos que adquiriu durante quatro dias de agressão.

“Medo de continuar minha vida e ele querer me bater ou me matar”, revelou.

Outro caso que chocou a população este ano foi o de C. Y., uma mulher que foi agredida pelo ex-namorado, Matheus Ataíde, na avenida Eduardo Ribeiro, uma das principais vias de Manaus. Na ocasião, ele invadiu o local de trabalho da vítima e a puxou para fora.

Em seguida, ele começou a dar murros e chutes na mulher. O ataque ocorreu por volta das 11 horas da manhã, mas mesmo com o alto fluxo de pessoas, a vítima conta que ninguém fez nada para impedir que as agressões continuassem.

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Ele foi ao local ‘motivado’ a brigar porque ela tinha ameaçado denunciá-lo por ter agredido a tia dela um dia antes.

Assim como todas as vítimas de violência, ela sente medo do agressor ressurgir na sua a qualquer momento.

“Minha cabeça está em desordem e mesmo denunciando, ainda tenho medo dele tentar algo contra a minha vida”, contou C. Y. logo após o ocorrido, em abril deste ano.

Perguntas

Em três anos, 60. 653 mulheres foram vítimas de violência doméstica e sua série de agravantes como calúnia, difamação, injúria, ameaças, etc. Mesmo com casos chocantes frequentes, discussões sobre a problemática e até campanhas de conscientização, a violência contra centenas de mulheres parece não ter fim.

Com isso, se levanta a questão de porque um problema tão antigo ainda não foi resolvido nem pela metade. Nesse sentido, o Radar procurou o primeiro suporte que deveria conter e inibir esse tipo de problema, a polícia.

A reportagem questionou a Policia Civil do Amazonas sobre quais procedimentos são adotados nessas situações, como são investigados, assim como de que maneira as medidas de proteção são fiscalizadas.

Até a publicação desta matéria não obtivemos respostas.