Malía: “Meu brilho vem da aceitação da minha verdade, da minha identidade”


É impossível ficar imune ao carisma e ritmo da cantora Malía. Logo de cara, a gente fica hipnotizado pelo seu sorriso largo e fácil, sempre acompanhado de um olhar curioso. Depois, se rende à alegria e energia contagiantes. E, então, vem o golpe final, que faz a gente se apaixonar completamente: ela começa a falar. Sim, a voz rouca e aveludada da cantora é, literalmente, música para os ouvidos. Mas, mais do que isso, é a lucidez com que ela enxerga a vida, a carreira, o futuro, que realmente acende o holofote que, hoje, não sai de cima dela.

Essa carioca da Cidade de Deus, bairro do Rio de Janeiro, parece que nasceu pronta para ocupar os palcos e brilhar. Cresceu em uma casa onde a música era consumida como oxigênio. “Tive uma educação musical fortíssima. Meus pais ouviam muita música, e essa paixão foi aumentando dentro de mim à medida que eu também crescia”, conta a artista. Aos 2 anos de idade, Malía pediu de presente seu primeiro CD: era dos Los Hermanos. “Eu amava a música Anna Julia”, lembra. Aos 10 anos, cantava de tudo. A brincadeira preferida era imitar um programa que selecionava os melhores cantores amadores. E, de tanto cantar, começaram a perceber que a menina era mesmo afinada. Muito afinada.

Com o tempo, a paixão por cantar começou a ficar tão evidente que os amigos passaram a gravá-la e a postar os vídeos nas redes sociais. “No começo, resisti à ideia, porque sempre fui muito crítica e só queria publicar algo que considerasse com ótima qualidade. Mas não consegui segurar.” Primeiro foram os vídeos fazendo releituras de artistas nacionais que ama, como Elza Soares, Alcione, Ludmilla, Caetano Veloso, Emicida… Até começar a cantar suas próprias criações. E, aos 18 anos, Malía saía da formatura do ensino médio direto para assinar com uma das maiores gravadoras do país.

Brilho próprio

Malía vai fazer 22 anos (19/12) e, no currículo, já emplacou três músicas em novelas da Globo: Dilema (em Malhação, 2019), Arte (em Bom Sucesso, final de 2019) e Faz uma Loucura por Mim (em Amor de Mãe, final de 2019). Se ela pensava em conquistar tanta coisa assim em tão pouco tempo? “Não penso muito sobre onde vou estar daqui uns anos. Eu penso em fazer tudo tão bem feito, e entregar tudo com tanta qualidade, para que eu possa estar em qualquer lugar que eu queira estar. Eu acho que quando a gente pensa no hoje, e trabalha para que ele seja impecável, o futuro, consequentemente, será positivo. Gosto muito de lidar com o contexto no qual estou inserida e assumir isso. Minha mãe sempre me falou da importância de eu saber a cultura do lugar de onde eu vim, me conhecer. E eu penso que se eu não sei quem eu sou, de onde eu vim, eu não vou saber para onde eu vou.”