Manaus convive com surto de esporotricose desde dezembro e medicação ainda é custeada pela população e por protetores

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Manaus vive um surto de Esporotricose desde dezembro de 2020 e até agora o Centro de Controle de Zonoose (CCZ), administrado pela Prefeitura de Manaus, ainda não dispõe de medicamentos para tratar a doença. Os gatos que contraíram a doença recebem tratamento custeado por políticos da causa animal, protetores de animais ou pela própria população.

A esporotricose é uma espécie de micose causada por fungos que geralmente estão presentes em materiais como madeira, areia, etc. O animal acometido pela doença passa a micose ao ser humano por meio de arranhões ou contato direto com a lesão do animal.

Porém, a maior vítima da esporotricose é o felino, que aqui entre já e vive em contato direto com esse tipo de material (madeira, areia). A doença causa lesões severas na pele causando sofrimento ao animal e até a morte. O medicamento que serve ao humano (Itraconazol) também serve aos felinos que precisam de tratamento dessa doença. Esta medicação (em caso de felinos ou caninos), costuma ser prescrita simultaneamente à pomada ou spray tópico para passar nas lesões.

Mesmo com vários casos em Manaus, em sua maioria em felinos, e a preocupação das autoridades na propagação desta zoonose para outros animais e, em seguida, aos humanos, a Prefeitura tem dado apenas atendimento veterinário, mas não disponibiliza os medicamentos para os donos dos animais que não têm condições de comprar esses remédios devido às dificuldades financeiras agravadas com a pandemia.

O fato do Poder Público não garantir a medicação está fazendo com que a população carente não faça o tratamento animal, alguns são abandonados e podem causar a proliferação ainda maior da doença. Sem contar a extrema maldade de deixar um animal abandonado morrendo com feridas pelo corpo.

De acordo com uma denunciante que tem cinco gatos diagnosticados com esporotricose, que procurou atendimento no CCZ, a unidade apenas passou as receitas e não disponibilizou os medicamentos. Cada caixa de Itraconazol custa em torno de R$ 54,00 (manipulada) e para comprar o medicamento para todos os pets seria necessário desembolsar mais de R$ 200,00 (duzentos reais), sem mencionar o outro spray que consta na receita pelo valor de R$ 90,00, precisando ser pelo menos duas unidades para o número de gatos. Após criticar o fato de um centro público de atendimento de animais não ter medicamento, a denunciante ouviu da funcionária do CCZ que ela deveria procurar algum político da causa animal para lhe prestar apoio com os medicamentos – bom lembrar que tods as ações do Poder Público são pagas com dinheiro do bolso do cidadão que paga impostos. Após pedir ajuda por dois dias, a denunciante conseguiu ajuda através de ativistas da causa animal que ajudaram com o valor dos medicamentos, somando R$ 320,00 (trezentos e vinte reais).

Enquanto isso, os donos dos gatos diagnosticados com esporotricose recorrem às autoridades, população e aos protetores de animais para conseguir a medicação para o tratamento. Cabe ressaltar que é dever da Prefeitura de Manaus fornecer tanto o atendimento como o medicamento aos animais e pessoas acometidas da doença.

O Radar entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) que informou ao Radar, através de nota, ter o medicamento, inclusive em estoque, mas que só disponibiliza para pessoas e não para animais. Vale ressaltar que o mesmo medicamento que serve para os humanos também serve para tratar os animais.

Na nota, a Semsa não explica o motivo de não destinar os medicamentos que estão em estoque para os animais.

Confira a nota na íntegra

A Secretaria Municipal de Saúde de Manaus esclarece que o primeiro caso de esporotricose na capital amazonense foi registrado em Dezembro de 2020.

Por nunca ter havido nenhum caso anterior, a Semsa não possuía o medicamento indicado para o tratamento dos animais com diagnóstico confirmado por exame laboratorial. Ainda no final do ano passado iniciou processo para aquisição do referido insumo, porém, em razão de mudança de gestão e, como ocorre em todo início de ano, foi necessário esperar a reabertura do orçamento da Prefeitura para que o processo pudesse ter continuidade, e atualmente está em andamento.

Para tratamento de esporotricose humana, a Semsa tem a medicação indicada em estoque por também ser prescrita para outras patologias.