Manaus é palco de protestos contra e a favor do governo Bolsonaro

O presidente acirrou as tensões institucionais ao convocar manifestações de apoio ao governo e ataques a ministros

Foto: Adriano Santos

Na tarde desta terça-feira (07), Manaus registrou manifestações em diferentes pontos da cidade. Não diferente do que foi visto no restante do País, por aqui os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afrontaram a democracia e as instituições públicas do Brasil com cartazes contendo frases antidemocráticas e gritos de ordem. Por outro lado, um grupo de manifestantes também se reuniu para protestar contra a atual gestão do país, denúncias de corrupção e em defesa dos direitos humanos.

Um dos locais de concentração dos bolsonaristas foi a Praça do Congresso, no Centro de Manaus. O Radar Amazônico esteve no local e flagrou milhares de pessoas aglomeradas, muitas delas não faziam uso da máscara de proteção contra a Covid-19. Os manifestantes fizeram uma caminhada, chamada pelos organizadores do evento de “marcha pela liberdade”. O evento foi liderado pelo ex-superintendente da Zona Franca de Manaus, Alfredo Menezes.

Além de mensagens de apoio ao presidente Bolsonaro, os manifestantes também protestaram pedindo a saída do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, associando a imagem dele e de políticos oposicionistas ao diabo.

“Quem reina aqui é Jesus Cristo. Pode vim senador endemoniado, deputado ou togado [em referência aos magistrados] mas Deus é mais”, disse Sérgio Kruke, líder do Movimento Conservador Amazona.

De acordo com a Polícia Militar, o ato na Praça do Congresso reuniu aproximadamente três mil pessoas.

Bola da Suframa

Um outro ato pró-Bolsonaro organizado por lideranças evangélicas aconteceu no anfiteatro do Centro Cultural Povos da Amazônia. O Radar esteve no local e acompanhou a tímida mobilização. Apesar dos esforços das lideranças, o evento não atingiu o público esperado.

Foto: Adriano Santos / Radar Amazônico

Ponta Negra

Já na zona Oeste de Manaus, os bolsonaristas se reuniram no Complexo Turístico da Ponta Negra. No local houve uma carreata de caminhões que fizeram um “buzinaço”. O movimento também teve a participação de diversas lideranças políticas e religiosas.

Um outro ato pró-bolsonaro também aconteceu em um posto de combustível na avenida das Torres, mas teve poucos adeptos.

O presidente acirrou as tensões institucionais ao convocar manifestações de apoio ao governo e ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme avaliam os políticos amazonenses que se pronunciaram sobre os protestos nas redes sociais ao longo do dia.

Fora Bolsonaro

Foto: Adriano Santos / Radar Amazônico

Além de atos pró-governo, Manaus também foi palco de um protesto contra a gestão de Bolsonaro. O movimento aconteceu no Largo do Mestre Chico, na zona Centro-Sul de Manaus. O evento faz parte da 27ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas, com o tema “A vida em primeiro lugar”.

O protesto pediu a saída do presidente Bolsonaro, assim como de seus ministros e subordinados do poder. Para Milena Nogueira, que é secretaria do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o ato foi uma oportunidade de lutar pelo emprego e pela democracia do país.

Foto: Adriano Santos / Radar Amazônico

A gente quer em primeiro lugar o ‘Fora Bolsonaro, Mourão, Guedes e todos os seus aliados’. A gente quer a luta pelo emprego e pela moradia. A gente tá vendo reformas que são aprovadas que prejudicam os trabalhadores. Estamos vendo o desemprego disparando, principalmente, aqui no  Amazonas.”, declarou Milena.

Quem acompanhou o ato de perto foi o deputado federal, José Ricardo (PT). Ele foi um dos políticos amazonense que se se pronunciaram sobre as falas de Jair Bolsonaro e os atos antidemocráticos registrados em todo o País.

No Twitter, antes de participar do protesto, ele questionou o alto preço da gasolina e da energia no Brasil e criticou o posicionamento do presidente, que acirrou as tensões ao convocar os atos pró-governo com pauta antidemocrática.

“Interessante como tem gente satisfeito com gasolina a 6 reais, botijão de gás a mais de 100 reais, com energia caríssima, com desemprego alto e a volta da fome, e ainda apoiando o Bolsonaro. Apoiar essa situação e usar camisa verde amarelo é ser “patriota”? Brasil quer mudanças”.

Apesar dos ânimos aflorados, as manifestações organizadas por apoiadores e opositores do presidente Jair Bolsonaro neste 7 de setembro terminaram sem confronto na capital amazonense.