Manaus em tempos de “trevas”

imagem das trevas

Um apagão de energia elétrica deixou Manaus às escuras na noite dessa sexta-feira (12).  Esse não é um caso isolado, pelo menos, por essas bandas da Cidade Nova, Parque das Laranjeiras e adjacências.  Temos convivido com a falta de energia – dia de semana é ruim e fica pior no final de semana – e ainda com a falta de respeito.  Ligar para o Serviço de Atendimento ao Cliente da Eletrobrás Amazonas Energia (08007013001) significa ficar no escuro e ainda com raiva, muita raiva mesmo. Primeiro, dependendo do dia, com um sistema telefônico sobrecarregado de gente ligando de tudo que é parte da cidade, porque não tem energia em casa, você espera um tempão ouvindo um atendente digital fazer a maior lambança, falando maravilhas sobre a empresa Eletrobrás Amazonas Energia, enquanto o calor está insuportável, você não pode ver televisão, e se for a noite, a escuridão lhe incomoda (não vá esquecer de comprar um monte de velas), os mosquitos atacam no escuro, e aquilo tudo vai irritando e, quando você é atendido, as mesma voz digitalizada lhe diz: “bem-vindo a Eletrobrás Amazonas Energia”. Dá vontade de gritar do outro lado do telefone: Bem-vindo porra nenhuma! Eu não queria (e nem devia) estar tendo o trabalho de ficar pendurado no telefone. Mas, aí, o abusado do atendimento digital ainda avisa que você está sendo gravado. Gravado porquê? É pra gente se sentir pressionado a não dizer desaforos, é? Tá pensando que pode nos colocar contra a parede? Mas, a gente tenta manter a calma e quando pensa que vão te passar para um atendente de carne e osso, entra mais uma voz digitalizada, dessa vez feminina , aguda, meio fanha e chata,  falando – tão rápido que agente não consegue entender direito- um monte de bairros que estão com problemas de falta de energia elétrica e, pasmem, ainda diz que não tem previsão de retorno. É como se quisesse nos dizer:  olha, você não é o único que tá lascado (pra não dizer expressão pior) por isso te acalma aí? E nessa hora você já está a beira de um acesso de raiva.

Aí, até que enfim, um ser humano te atende e, ao invés, de te perguntar qual é o problema, vai logo perguntado por um tal de “código único” que está na conta de energia, e você tem que dar seu jeito pra enxergar no escuro, corre pra perto da vela, e diz a porcaria do número. Pronto, você pensa, agora vão dar  uma explicação e a solução para o problema, não é mesmo? Errado. O indivíduo que te atende somente diz que sua ocorrência está registrada e que aguarde uma equipe técnica da empresa ir até o local. Mas, não dá pra dizer qual é o problema? Essa informação ainda não foi repassada pela área técnica. E daqui a quanto tempo a equipe vem resolver o problema? Áh! Isso não dá pra saber, porque depende do número de equipes que estão de plantão. Só falta dizer que os palhaços aqui (no caso nós consumidores) têm que esperar e ponto final. No caso da sexta-feira, o martírio ainda foi pior, junto com o apagão de energia elétrica, teve ainda o apagão de sinal de celular (no nosso caso aqui do Radar era o Vivo que estava morto) e não se conseguia ligar nem para a Eletrobrás Amazonas Energia (devia estar sem energia), e nem para os filhos que estavam pra faculdade e usam transporte coletivo à noite, e a gente já fica pensando em paradas de ônibus às escuras, os riscos de um assalto e coisas do gênero. Quase meia-noite, o filho chega da rua, e logo depois a energia elétrica – assim como a porcaria do sinal de celular quando você nem precisa mais dele. E, você já passou tanta raiva e nervosismo que está à beira de um “apagão” emocional. Assim tem sido nossos dias numa Manaus em tempos de trevas. (Any Margareth)