Manaus recebeu maratona de mais de 23 horas de handebol no fim de semana

Os jogos de abertura da 4ª Edição da Taça Cidade de Manaus infantil, cadete e juvenil e o início da terceira rodada da Taça Laércio Miranda adulto promoveram uma verdadeira maratona de handebol neste fim de semana, com mais de 23 horas de jogos. As partidas tiveram início no sábado (21) e seguiram até o domingo (22) com os duelos iniciando às 8h e seguindo até às 17h, nos dois dias. Ao todo, o ginásio Renné Monteiro, na Zona Centro-Sul, recebeu 19 jogos e 34 equipes.

As competições realizadas pela Liga de Handebol do Amazonas (Liham) têm o apoio das Secretarias do Governo do Amazonas (Sejel e Seduc), Meca Comunicação Visual e Plano 7 Produção e Comunicação.

“A categoria de base tem sempre que se renovar. Já temos atletas experientes, e é uma competição aberta à escolas e associações para as crianças participarem e conhecermos os novos talentos. A modalidade no Amazonas está crescendo e esperamos evoluir ainda mais. Nós (Liham) decidimos que a categoria infantil e cadete pagam a taxa única, não pagam arbitragem e ganham a mesma premiação, troféus e medalhas, iguais a do Campeonato Amazonense adulto. Fazemos isso justamente para motivar e animar todos os jogadores”, explicou o presidente da Liham, Auricélio Andrade.

Valorização da base

O início da temporada da categoria de base – que se expande pelo Amazonas – levou para a quadra um misto de inexperiência, técnica e maturidade. Enquanto os novatos tentavam superar o nervosismo, a garotada do juvenil só pensava em voos maiores.

“Quero muito começar a participar dos clubes grandes da capital como o HCM (Handebol Clube Manaus) e o Santa Etelvina. Quem sabe, também, jogar por algum clube fora do país”, contou o meia do Ceti Sérgio Pessoa, Eliseu Fernandes, de 14 anos, considerado uma das promessas do handebol amazonense e um dos principais jogadores na vitória em cima do Ceti João Braga por 31 a 9.

“Já estou há dois anos no handebol. Antes só via os jogos pela televisão. Comecei com 12 anos e agora com 14 anos já fui campeão amazonense e vice-campeão da Taça Cidade de Manaus, ambos no infantil. Agora vamos em busca da conquista da taça”, avisou.

Com times das cidades de Manaus, Iranduba, Itacoatiara e Novo Airão já experientes nas categorias de base, o caçula TSF do Careiro Castanho mostrou um time de garra e vontade em seu segundo ano de disputa. Apesar da derrota para o experiente time do Isaías Vasconcelos do Iranduba por 22 a 23 nos segundos finais, o Careiro mostrou que pode despontar entre os favoritos no juvenil.

“Estamos desde o ano passado participando da Taça e do Amazonense. Antes não tínhamos um trabalho de base, e como a Liham comunicou que retiraria as categorias de base imediatamente e passou a dar apoio para as equipes do interior nos colocamos nossos garotos. É o nosso segundo ano, estamos apenas disputando e ganhando experiência para chegar forte nos próximos anos. É de grande valia essa participação, estamos colocando nossos atletas do interior junto com os de grande nível técnico da capital”, declarou o treinador do TSF, Jamy de Carvalho.

Handebol Social

A parceria entre esporte e o lado social andam juntas no handebol do Amazonas. E é no bairro Mauazinho, na Zona Leste de Manaus, que existe um dos projetos sociais que retiram meninos e meninas do caminho da prostituição e das drogas. Há 18 anos, a Escola Nova Vida compete nas categorias de base. E em meio a revelar talentos para a modalidade, e a missão de mostrar um novo caminho para os jovens da periferia, é que o projeto avança na formação de verdadeiros campeões.

“É um projeto que desenvolvemos com a Escola Municipal Nova Vida, dentro do Mauazinho, e a Escola Estadual Nathália Uchôa, no Japiim. O trabalho é focado justamente para tirarmos os meninos e principalmente as meninas das drogas e da prostituição. São 18 anos de projeto e lá (Mauazinho) as drogas estão presentes e as meninas são aliciadas frequentemente por causa do dinheiro que corre por lá”, contou o técnico da equipe Nova Vida, Sidney Ferreira, feliz pelas conquistas dentro e fora das quatro linhas.

“Nem sempre dá para vencer, mas nossas vitórias são maiores que as derrotas. Nossa comunidade participa e acredita no nosso trabalho. Tenho certeza que estamos deixando uma boa safra e um bom legado, tanto para o esporte quanto para a sociedade”, frisou.

Na partida de estreia, as meninas da categoria infantil da Nova Vida venceram as meninas da Escola Francisca Botinelly por 19 a 16. O destaque da vitória ficou com a pivô Rafaela Medeiros, de 14 anos, que sonha em levantar a taça na final marcada para o dia 1º de maio. “Esse ano os times estão com muito mais base e um pouco mais experientes. Tem tudo para ser uma disputa equilibrada. Nosso time tem história e queremos ficar com a taça”, afirmou a jogadora.

Laércio Miranda

Se o espetáculo maior ficou por conta da nova safra de jogadores, os figurões da categoria adulto da Taça Laércio Miranda deram um show de qualidade e técnica, ainda no sábado (21). No único jogo do naipe feminino, o HCM venceu o Parque 10 por 36 a 27. No masculino, o time do bairro da Raiz saiu vencedor nos últimos minutos, ao aplicar 27 a 26, no Dance Hall e na última partida do dia, o Columbia E.C passou com folga pelo Iranduba por 36 a 29.