Mandetta à CPI: “Adotamos a ciência como elemento de decisão”

ex-ministro da saúde fala a CPI da saúde/ foto:Hugo Barreto/Metrópoles

ex-ministro da saúde fala a CPI da saúde/ foto:Hugo Barreto/Metrópoles

Os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich participam, nesta terça-feira (4/5), da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga ingerências do governo federal no enfrentamento da pandemia da Covid-19.

A sessão teve início por volta das 10h20. Mas um novo bate-boca entre os senadores atrasou o início do depoimento de Luiz Henrique Mandetta, o primeiro a responder perguntas do colegiado.

O vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e o líder do Centrão, senador Ciro Nogueira (PP-PI), discutiram sobre o andamento dos trabalhos.

Randolfe criticou as questões de ordem interpeladas pelos senadores da base aliada do governo federal que integram a comissão para atrasar o início da sessão, sendo interrompido por Ciro.

Mandetta iniciou a fala defendendo que o coronavírus se “transformou em um ataque global” e mandou um recado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de quem virou opositor após a saída do governo federal. “Não há nenhum raciocínio individual que prevaleça sobre o raciocínio coletivo”, disse.

O ex-ministro da Saúde afirmou que tomou decisões com base em três pilares: a defesa intransigente da vida, o SUS como meio para atingir e a ciência como elemento de decisão.

“A defesa intransigente da vida foi a número um. Não haveria nenhuma vida que não fosse valorizada. O SUS como meio para atingir e a ciência como elemento de decisão. O eixo de atenção, prevenção, testagem, hospitalização e monitoramento”, declarou Mandetta.

O médico defendeu a importância da imunização da população brasileira como saída para a crise sanitária. “A única pauta sugerida para o Brasil, na assembleia de 2020, foi a vacina como patrimônio global da humanidade”.

Mandetta, que estava à frente da Saúde quando a pandemia chegou ao Brasil, foi demitido em abril do ano passado após divergir do presidente sobre como conduzir a crise do coronavírus no país.

Desde o início, ele se mostrou contrário ao tratamento precoce contra a Covid-19, amplamente defendido pelo chefe do Executivo, e favorável a um lockdown nacional para conter a disseminação do vírus.

Internamente, parlamentares da oposição demonstram grande expectativa com a fala de Mandetta. Os congressistas querem saber se eventuais erros cometidos no início do enfrentamento da crise sanitária acarretaram a explosão de casos registrados no país no último ano, com a situação agravada em 2021.

Às 14h, está previsto o depoimento de Nelson Teich. O ex-ministro da Saúde ficou no cargo menos de um mês também por discordar do presidente Bolsonaro sobre o uso de protocolo sem comprovação científica para tratar a doença. “Não vou manchar a minha história por causa da cloroquina”, disse Teich ao se despedir da pasta.